Operação no DF e Entorno apura fraudes em sistema do Detran com cerca de 300 transferências ilegais
29 janeiro 2026 às 11h04

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A Polícia Civil do Distrito Federal realizou, nesta quarta-feira (28), uma operação no DF e no Entorno para investigar um esquema de fraudes envolvendo o sistema do Detran-DF. As apurações apontam a existência de cerca de 300 transferências irregulares de veículos feitas de forma ilegal dentro da plataforma do órgão.
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Planaltina, no Distrito Federal, além do Entorno, Planaltina de Goiás, Valparaíso de Goiás e Água Branca, no estado do Piauí. A investigação está em andamento há aproximadamente um ano.
O caso teve início após um proprietário comunicar ao Detran que seu veículo havia sido transferido para outra pessoa sem autorização. A partir da denúncia, o próprio órgão realizou uma apuração interna e identificou centenas de transferências suspeitas realizadas com a matrícula de uma servidora, inclusive em horários fora do expediente. As operações ocorreram sem documentação ou com documentos adulterados.
Após tomar conhecimento do caso, a servidora registrou ocorrência, e a Polícia Civil passou a investigar os acessos ao sistema. As apurações indicaram a existência de acessos externos e apontaram três suspeitos envolvidos nas fraudes. Dois deles já tiveram vínculo com o Detran na função de despachantes. Os investigados podem responder por invasão de dispositivo informático, estelionato e organização criminosa.
Outras operações semelhantes
Uma operação semelhante foi realizada no dia 8 de dezembro do ano passado, quando a Polícia Civil passou a apurar a atuação de um grupo suspeito de invadir o sistema do Detran para obter credenciais e cometer outras irregularidades. Segundo a polícia, o esquema permitia fraudar emplacamentos, desbloquear CNH, cancelar multas e desvincular débitos.
Na segunda fase da Operação Código Fantasma, foram apreendidos aparelhos eletrônicos para perícia nas regiões do Riacho Fundo e Samambaia. Dois suspeitos, um homem de 24 anos e uma mulher de 34, foram identificados, mas não houve prisões. A mulher atuava em um órgão que prestava serviços ao Governo do Distrito Federal. A Polícia Civil informou que pediu a prisão da dupla, com parecer favorável do Ministério Público do DF, mas o pedido foi negado pelo Judiciário.
De acordo com as investigações na época, os suspeitos utilizavam equipamentos conhecidos como “Microtiks” para acessar ilegalmente o sistema. Pelo menos três desses dispositivos foram localizados em unidades do Detran e em órgãos parceiros. Na operação mais recente, também foram apreendidos celulares e computadores. A Polícia Civil segue investigando para identificar todos os envolvidos no esquema.
