A saúde pública é o principal problema do Distrito Federal para 62% dos eleitores, segundo pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (12). O levantamento também identificou aumento da preocupação com a violência, que passou de 7% para 12% entre 29 de setembro e 12 de outubro.

A saúde lidera a lista de preocupações desde agosto, quando a Quaest iniciou a série de levantamentos sobre os principais problemas enfrentados pela população do DF. Em 23 de setembro, o tema foi citado por 60% dos entrevistados. No fim do mês, o percentual chegou a 62% e permaneceu no mesmo patamar na pesquisa mais recente.

Enquanto a saúde manteve a liderança, a violência registrou crescimento de cinco pontos percentuais em menos de duas semanas. O resultado indica que a segurança pública ganhou relevância entre as preocupações dos eleitores do Distrito Federal.

A corrupção, por sua vez, permaneceu com 10% das citações no período entre 29 de setembro e 12 de outubro.

Os dados mostram que os serviços de saúde continuam no centro das demandas da população, enquanto a segurança pública também aparece como uma questão importante no cenário político local.

Cenário atual

Atualmente, 74 pacientes aguardam por um leito de UTI na rede pública do Distrito Federal. O número reacende o debate sobre a eficiência do modelo de gestão hospitalar adotado em julho de 2017, com a criação do Instituto Hospital de Base, que deu origem ao atual IGESDF. A proposta era garantir mais autonomia administrativa e financeira para agilizar decisões e melhorar os serviços. No entanto, dados citados pelo Tribunal de Contas do DF indicavam que, antes da criação do instituto, a fila de UTI já oscilava entre 50 e 80 pacientes por dia. Nove anos depois, a demanda permanece na mesma faixa, enquanto a rede enfrenta dificuldades como falta de médicos, falhas na regulação de leitos e metas de desempenho descumpridas ou sem indicadores adequados de avaliação.

Diante desse cenário, é legítimo questionar quais resultados concretos o modelo entregou à população. O IGESDF recebeu cerca de R$ 700 milhões da União, além dos recursos repassados pelo governo local, e precisa demonstrar que a autonomia concedida se traduziu em melhorias efetivas na assistência. A estrutura também levanta discussões sobre transparência, responsabilização e os mecanismos de contratação de pessoal. Enquanto o governo e a direção do instituto precisam esclarecer os resultados alcançados e os obstáculos enfrentados, pacientes em estado grave continuam à espera de atendimento. Após quase uma década, é necessário avaliar o que funcionou, corrigir falhas e cobrar respostas de quem administra e mantém esse modelo de gestão.

A pesquisa

A pesquisa Quaest ouviu 1.104 eleitores do Distrito Federal com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 11 de outubro de 2026. O levantamento tem margem de erro estimada em três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números DF-08737/2026 e BR-06799/2026.