MPDFT pede investigação contra médium Maira Rocha por suspeita de estelionato e falsidade ideológica
19 outubro 2026 às 13h40

COMPARTILHAR
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) solicitou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de estelionato, apropriação indébita e falsidade ideológica atribuídas à médium Maira Alexandrina Leobino Freitas, conhecida como Maira Rocha, e a outras pessoas que possam ter participado dos fatos.
O pedido consta do Ofício nº 38/2026, expedido em 22 de setembro pela 9ª Promotoria de Justiça Criminal. O documento foi encaminhado à Corregedoria-Geral da PCDF e determina que a autoridade policial informe, no prazo de dez dias, quais providências foram adotadas.
Maira é ligada à Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada em Águas Claras, no Distrito Federal. As suspeitas envolvem denúncias apresentadas por pessoas que questionam a atuação da médium e a autenticidade de mensagens psicografadas atribuídas a familiares falecidos.
Cartas psicografadas são alvo de questionamentos
Entre as denúncias estão relatos de ex-frequentadores e integrantes do meio espiritualista que apontam supostas inconsistências nas cartas psicografadas. Segundo os denunciantes, algumas mensagens teriam sido elaboradas com informações obtidas em redes sociais, como Facebook e Instagram, e posteriormente apresentadas às famílias como comunicações espirituais.
As alegações ainda dependem de investigação e não constituem comprovação de fraude. Em seu portal oficial, a Casa de Caridade Inácio Daniel informa que o serviço de psicografia é gratuito e que o recebimento das mensagens depende de autorização espiritual.
No documento encaminhado à PCDF, o Ministério Público cita os artigos 171, 168 e 299 do Código Penal, relacionados, respectivamente, aos crimes de estelionato, apropriação indébita e falsidade ideológica.
O procedimento também prevê a identificação de eventuais outras pessoas envolvidas, caso sejam encontrados elementos que justifiquem a investigação.
A solicitação do MPDFT ocorre em meio a outra apuração policial já mencionada nas denúncias sobre a atuação da médium. O pedido de abertura de inquérito, entretanto, não significa que os crimes tenham sido comprovados.
Caberá à Polícia Civil reunir documentos, ouvir envolvidos e verificar se existem indícios suficientes para responsabilização criminal.
O ofício apresentado não informa se a PCDF já instaurou o novo inquérito ou quais providências foram adotadas após o prazo solicitado pelo Ministério Público.
A investigação deverá esclarecer se houve obtenção de vantagens indevidas, apropriação de valores ou utilização de informações falsas nas condutas denunciadas.
