A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (21), a Operação Rota contra um grupo suspeito de conceder empréstimos com juros superiores a 20% e cobrar dívidas mediante ameaças e violência. São cumpridos três mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, em Goiás e Minas Gerais, com o objetivo de interromper o esquema e reunir provas sobre crimes de organização criminosa, agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.

A investigação é conduzida pela 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina. Segundo a PCDF, o grupo teria movimentado cerca de R$ 5,7 milhões entre os próprios integrantes. A Justiça autorizou o bloqueio de ativos financeiros até esse valor, além de restrições sobre veículos e a indisponibilidade de um imóvel.

Os investigadores afirmam que a organização mantinha uma estrutura denominada “Rota”. Os integrantes seriam responsáveis por diferentes etapas do esquema, como financiamento, administração, controle de pagamentos, concessão de empréstimos e cobrança dos devedores.

A atuação teria alcançado Planaltina, no Distrito Federal; Formosa e Goiânia, em Goiás; e os municípios mineiros de Formoso e Buritis.

De acordo com a investigação, pessoas que não conseguiam pagar as dívidas eram submetidas a ameaças e outras formas de intimidação. Os elementos analisados pela polícia também fazem referência ao uso de armas de fogo nas cobranças.

Algumas vítimas teriam perdido bens pessoais e até estabelecimentos comerciais em razão das dívidas. A análise financeira também identificou transações consideradas incompatíveis com a renda formal de parte dos investigados.

As apurações começaram após a perícia em um celular apreendido durante a Operação Backdoor, realizada em 2025. Os dados encontrados no aparelho levantaram suspeitas sobre a existência de outro grupo organizado para emprestar dinheiro a juros elevados e cobrar os valores de forma sistemática.

A Justiça também autorizou o acesso aos dados armazenados nos equipamentos eletrônicos recolhidos nesta segunda-feira. A operação permanece em andamento, e a polícia busca identificar outras possíveis vítimas e dimensionar o patrimônio movimentado pelo grupo.