A família de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, apresentou à Justiça um laudo médico que aponta que a morte do adolescente foi causada pelos socos desferidos por Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos. Segundo o documento, as lesões que levaram ao óbito não teriam sido provocadas por uma batida da cabeça contra um carro.

A possibilidade de o jovem ter se machucado ao bater no veículo havia sido considerada nas primeiras análises do caso e também aparece na denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal.

O parecer foi elaborado pelo médico Fábio Teixeira Giovanetti Pontes e foi incluído no processo nesta semana. A partir das conclusões do documento, a família pede que a denúncia feita pelo Ministério Público seja ampliada. Também solicita a realização de uma perícia especializada nas imagens da briga e uma análise biomecânica para verificar a possível utilização de um soco inglês durante a agressão.

De acordo com o laudo, todas as lesões consideradas fatais estão concentradas no lado esquerdo da cabeça do adolescente. Na avaliação apresentada pela acusação, os registros em vídeo da briga mostram que os golpes foram direcionados para essa região.

Ainda segundo a análise, em determinado momento Rodrigo chega a encostar o lado direito da cabeça na porta de um carro. Mesmo assim, o médico afirma que as características dos ferimentos indicam trauma provocado por impacto direto, e não por contragolpe, situação que ocorreria caso a cabeça tivesse atingido um obstáculo.

O especialista afirma no documento que os danos observados são compatíveis com agressões repetidas, e não com uma queda ou uma única batida.

O laudo também menciona estudos experimentais com cabeças de cadáver que indicam que fraturas lineares no crânio podem ocorrer com pressões entre 3,1 e 5,2 MPa, o que corresponde a forças de 31,6 a 53 kgf/cm². Segundo o médico, esses valores são compatíveis com socos humanos aplicados com grande intensidade e repetição.

Outro ponto destacado no documento é a possibilidade de que tenha sido utilizado algum instrumento contundente, como um soco inglês. A suspeita surgiu após a análise do exame de corpo de delito realizado no investigado logo depois do episódio.

Segundo o laudo, não foram encontrados ferimentos nas mãos ou nos punhos do suspeito, mesmo após a realização de vários golpes com força suficiente para provocar fratura no crânio da vítima. Para o médico, a ausência dessas lesões é considerada incomum e difícil de explicar sem a presença de algum elemento que proteja a mão ou aumente a força do impacto.

Apesar dessa hipótese, o próprio documento afirma que não é possível confirmar o uso de um instrumento apenas com as informações já disponíveis. Por isso, recomenda que seja feita uma perícia específica nas imagens da agressão.

O assistente de acusação Albert Halex também pediu que as investigações sejam reabertas em relação às outras pessoas que estavam no carro com o réu no momento do ocorrido.

Pedro Arthur Turra Basso responde por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e está preso preventivamente no Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 2 de fevereiro.

Na data da prisão, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do ex-piloto e recolheu um soco inglês e facas. Até o momento, porém, o uso desse tipo de objeto durante a briga não foi confirmado pela investigação policial. Com o novo laudo anexado ao processo, caberá agora à Justiça avaliar os próximos passos do caso. A reportagem tenta contato com a defesa do acusado.