Deputado pede investigação e bloqueio de bens de Ibaneis por prejuízo bilionário do BRB com Banco Master
03 fevereiro 2026 às 18h00

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O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) apresentou representação ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a abertura de investigação criminal contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), por suposta atuação irregular no processo de tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O parlamentar também solicita o bloqueio de bens pessoais do governador como medida cautelar, com o objetivo de garantir o ressarcimento dos prejuízos causados ao banco público.
Na representação, Fábio Félix afirma que há indícios de gestão temerária ou fraudulenta, advocacia administrativa e possível indução em erro de órgãos públicos e do mercado, crimes previstos na Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e no Código Penal. Segundo o documento, a operação teria exposto o BRB — controlado pelo Governo do Distrito Federal — a riscos elevados, resultando em perdas que culminaram na determinação do Banco Central para um aporte de R$ 2,6 bilhões.
Relembre o caso
De acordo com o documento apresentada pelo deputado, o Banco Central já havia feito alertas ao Banco Master desde dezembro de 2024, exigindo mudanças nas operações e um aumento de capital bilionário para evitar a liquidação da instituição. Mesmo nesse contexto, o BRB anunciou, em março de 2025, a intenção de adquirir o controle do banco privado por cerca de R$ 2 bilhões.
À época, Ibaneis Rocha classificou o anúncio como “um dia de festa”, afirmando que a operação ampliaria dividendos para investimentos no Distrito Federal. O negócio, no entanto, foi alvo de questionamentos judiciais, que condicionaram sua conclusão à aprovação da Câmara Legislativa do DF (CLDF) e dos acionistas do BRB.
O projeto de lei autorizando a operação tramitou em regime de urgência e foi aprovado e sancionado em menos de 24 horas, em agosto de 2025. Poucos dias depois, o Banco Central negou a autorização para a mudança de controle, levando à rescisão do contrato.
Mesmo após o veto, Ibaneis criticou publicamente a decisão do Bacen, afirmando que ela colocaria em risco o sistema financeiro nacional e defendendo alternativas para salvar o Banco Master.
Investigação policial e prejuízo ao erário
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Em declarações posteriores, Ibaneis minimizou o caso e disse não ter conhecimento prévio de irregularidades.
Já em janeiro de 2026, após o Banco Central determinar o aporte bilionário para cobrir as perdas do BRB, vieram a público declarações de Vorcaro e de Paulo Henrique Costa indicando que o governador teria participado ativamente das negociações. Ibaneis confirmou encontros com o controlador do Banco Master, mas negou ter tratado do negócio, afirmando que “entrou mudo e saiu calado”.
Pedido de bloqueio de bens
Para Fábio Félix, o encadeamento dos fatos indica que a operação pode ter servido para transferir prejuízos de uma instituição privada em crise para um banco estatal, com impacto direto no patrimônio público. Por isso, além da investigação criminal, o deputado pede que o MPF atue também na esfera cível para buscar o ressarcimento integral dos danos.
A representação solicita expressamente que sejam adotadas medidas cautelares de indisponibilidade e bloqueio de bens de Ibaneis Rocha, a fim de evitar que o prejuízo seja socializado e recaia exclusivamente sobre o Governo do Distrito Federal e a população. “O bloqueio de bens é essencial para garantir que o rombo não seja pago pelos cofres públicos sem a devida responsabilização de quem deu causa ao dano”, sustenta o parlamentar no documento encaminhado ao MPF.
