O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retornou à prisão nesta quarta-feira (07) após a realização de exames médicos que descartaram lesões intracranianas graves decorrentes de uma queda ocorrida dentro da cela. Segundo a equipe médica, os resultados indicam um traumatismo craniano leve, sem complicações neurológicas, e levantam a hipótese de que a queda tenha sido provocada por sonolência associada ao uso de medicamentos.

Em entrevista coletiva, o cardiologista Brasil Ramos Caiado, responsável pelo acompanhamento de Bolsonaro, afirmou que, após avaliação clínica inicial, foram solicitados exames complementares “de praxe” em casos de traumatismo cranioencefálico. O ex-presidente foi submetido a tomografia e ressonância magnética do crânio, além de um eletroencefalograma, no hospital da Asa Sul.

De acordo com o médico, os exames mostraram lesões em partes moles nas regiões frontal e temporal direitas, compatíveis com um traumatismo leve. “Não há lesão intracraniana, o que é um dado positivo”, disse. O eletroencefalograma também apresentou resultado normal, afastando, até o momento, a confirmação de uma crise convulsiva — hipótese inicialmente considerada devido às circunstâncias da queda.

Com os resultados, a equipe médica autorizou o retorno de Bolsonaro à unidade prisional. “Do ponto de vista dos exames, não há necessidade de mantê-lo fora da superintendência neste momento”, afirmou Caiado.

Segundo o médico, a principal linha de investigação agora é a possível interação medicamentosa. Bolsonaro faz uso de diversos remédios para tratar crises de soluços persistentes, condição que, segundo Caiado, é de difícil controle. “Esses medicamentos podem causar tontura, desequilíbrio e sonolência, o que aumenta o risco de quedas”, explicou.

O médico relatou ainda que o ex-presidente apresentou episódios de tontura, desequilíbrio e lapsos de memória recentes, especialmente em relação ao momento da queda, ocorrida durante a madrugada. “Ele inicialmente não se lembrava do que havia acontecido. Com o tempo, passou a relatar que levantou e caiu, mas não é possível afirmar se houve desmaio”, disse.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também falou à imprensa e reforçou a possibilidade de que o marido estivesse sonolento por causa da medicação. Segundo ela, alguns remédios precisam ser fracionados, pois doses maiores o deixam “o dia todo deitado”. Michelle afirmou ainda que Bolsonaro pode não ter acionado o dispositivo de emergência disponível na cela por confusão no momento do acidente ou por não querer “incomodar”.

A equipe médica informou que o acompanhamento seguirá de forma compartilhada com os profissionais da superintendência, responsáveis pela administração dos medicamentos. Ajustes no tratamento estão sendo avaliados para reduzir riscos e preservar a saúde do ex-presidente.

Carlos Bolsonaro, filho de Bolsonaro, reforçou a necessidade do ex-presidente ter a prisão domiciliar decretada para que tenha mais conforto. “Ele reclama de um barulho do ar condicionado central que atrapalha a pessoa a ter conforto”. Carlos, lembrou que, desde o ano passado, o ex-presidente Fernando Collor, cumpre prisão domiciliar devido a apneia do sono. “Meu pai sofre por apneia há anos e mesmo assim está numa solitária”, acrescentou Carlos.