Valdirene Tavares deixa Republicanos, se filia ao PP e entra na disputa por vaga na Câmara Federal no DF
09 maio 2026 às 14h10

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*Por Cintia Ferreira
A pastora, cantora evangélica e líder social Valdirere Tavares confirmou sua pré-candidatura a deputada federal pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. Após mais de oito anos no Republicanos, ela oficializou a ida para o Partido Progressistas (PP), legenda comandada no DF pela governadora Celina Leão, de quem é amiga e aliada política há mais de três décadas.
A movimentação é considerada estratégica dentro do grupo político de Celina, que busca fortalecer a nominata do partido com nomes ligados ao eleitorado evangélico e com forte presença popular no Distrito Federal e Entorno.
Em entrevista, Valdirere afirmou que a mudança partidária aconteceu exclusivamente por causa do convite feito pela governadora. “Só saí do Republicanos pelo convite da Celina. Tenho gratidão pelo partido, fui muito acolhida lá, foi uma passagem muito boa, mas entendemos que era o momento de ajudar nesse novo projeto”, afirmou.
Segundo ela, não houve rompimento político ou divergência com a antiga legenda. “Saio apenas com gratidão”, reforçou.
Uma trajetória construída
Apesar de estar oficialmente na política há cerca de oito anos, Valdirene afirma que sua relação com o Distrito Federal começou muito antes da vida partidária. Nascida em uma família evangélica, no Gama, ela construiu sua trajetória dentro das igrejas, ao lado do irmão, o pastor Egmar Tavares.
Os dois formaram uma dupla gospel ainda na adolescência e se tornaram conhecidos em igrejas do DF e do Entorno. “Minha vida sempre foi pautada na igreja. Eu canto desde criança, com 4 anos. Com 14 anos comecei a cantar com meu irmão e, este ano, completamos 40 anos de ministério”, contou.
Ao longo de quatro décadas, a dupla percorreu diversas cidades do Distrito Federal em cultos e eventos religiosos. Segundo Valdirene, foram mais de 200 mil cópias vendidas entre fitas cassete, discos e CDs. “Nós atendíamos três igrejas no mesmo domingo. Manhã, tarde e noite. Cantamos em Samambaia quando ainda era cheia de barracos, em Santa Maria no começo de tudo. Já atolamos carro em estrada de lama para chegar em culto”, relembrou.
Ela afirma que grande parte da população evangélica do DF conhece sua história antes mesmo da entrada na política. “A política veio depois. O povo me conhece da igreja, das campanhas evangelísticas, das ações sociais. Tem gente que me acompanha há 30, 40 anos.”
Ligação histórica com Brasília
Embora tenha forte atuação no Entorno, principalmente em Luziânia e Águas Lindas, Valdirene afirma que sua base ministerial sempre esteve ligada ao Distrito Federal.
O pai dela atuou como pastor em regiões administrativas como Gama, Taguatinga, Ceilândia e Areal, atualmente integrado a Águas Claras. “Meu pai ajudou a construir muitas igrejas em Brasília. Foi vice-presidente de campo junto com o pastor Divino Gonçalves. Nossa história no DF é muito forte”, disse.
O convite de Celina Leão e a mudança para o PP

A aproximação com Celina Leão começou ainda nos anos 1990, durante o governo de Joaquim Roriz. Valdirene conta que trabalhou em equipes ligadas ao ex-governador e acompanhou o início da trajetória política da atual governadora. “Conheço a Celina há mais de 30 anos. Fizemos campanhas juntas, ações sociais juntas. Temos amizade na política, na igreja e na vida pessoal.”
Segundo Valdirene, a relação entre as duas se fortaleceu ao longo do tempo, principalmente em projetos sociais e ações voltadas às mulheres e famílias.
Ela relembrou ainda que Celina Leão, assim como ela, inicialmente resistiu à ideia de entrar para a política. “Ela contou que o próprio Joaquim Roriz incentivou sua candidatura na época. E agora foi ela quem me chamou para esse projeto.”
Nos bastidores, integrantes do PP avaliam que a chegada de Valdirene fortalece o partido em regiões estratégicas do DF e do Entorno, especialmente junto ao eleitorado cristão.
“Eu nunca quis ser candidata”, diz Valdirene
Durante a conversa, Valdirene relatou que resistiu durante anos à ideia de disputar um cargo político majoritário. Segundo ela, o primeiro “sinal” teria acontecido durante um culto em uma igreja evangélica. “Uma pastora interrompeu a pregação e disse que Deus mostrava que dali sairia uma deputada federal. Eu fiquei assustada. Pensei: ‘Deus me livre disso’. Nunca quis política para mim”. Mas mal sabia ela que o destino estava mais perto do que ela imaginava.
Ela conta que, depois disso, ouviu mensagens semelhantes em outros momentos e diz acreditar que a candidatura faz parte de um propósito espiritual. “Eu sempre neguei. Nunca quis. Mas Deus foi confirmando de várias formas. Depois veio o convite da Celina e eu entendi que era um chamado.”
Valdirene afirmou que encara a pré-candidatura com tranquilidade e convicção. “Estou em paz. Se der certo, amém. Se não der, amém também. Mas eu acredito que Deus está conduzindo tudo.”
Trabalho social e ligação popular
Ao longo da sua trajetória à frente da evangelização, Valdirene fez questão de destacar que sua atuação social não começou com a política. Ela contou que cresceu acompanhando a mãe em ações solidárias, distribuição de cestas básicas e ajuda a famílias carentes. “Aprendi isso com minha mãe. Desde criança eu acompanhava ela levando cesta básica para famílias necessitadas. Isso nunca foi política. É quem eu sou.”
Mesmo após deixar cargos políticos, afirma que continuou realizando ações sociais. “Até hoje eu ajudo pessoas. Às vezes de madrugada. A fome dói. Não consigo ver alguém precisando e fingir que não vi.”
Segundo ela, essa proximidade criou vínculos pessoais com moradores do Entorno e do DF. “Não é relação política. É relação humana. Eu gosto de sentar, ouvir as histórias, ajudar.”
Defesa das famílias atípicas e da causa animal
Além da pauta evangélica, Valdirene pretende defender bandeiras ligadas às famílias atípicas e à saúde. Ela afirmou que pretende atuar em projetos de conscientização sobre o uso medicinal do canabidiol e apoio às mães que enfrentam dificuldades para conseguir tratamento para os filhos. “Muita gente sofre por falta de informação. Precisamos ajudar às famílias a conhecerem seus direitos.”
Outro tema citado por ela foi a proteção animal. A pré-candidata contou que passou a se envolver mais com a causa após adotar uma cachorra resgatada pelo filho. “Ela virou parte da família. Isso despertou ainda mais esse olhar para a causa animal.”
Estratégia política mira evangélicos e Entorno
Com forte presença no segmento evangélico, Valdirene aposta na capilaridade construída ao longo de décadas dentro das igrejas. Ela acredita que o eleitorado cristão terá papel decisivo em sua campanha. “Tenho uma história com o povo evangélico. Não é algo recente. São 40 anos caminhando junto das igrejas.”
Além do DF, Valdirene afirma que pretende manter diálogo constante com cidades do Entorno, onde também possui forte presença popular. “Brasília precisa ser meu foco, mas jamais abandonarei o Entorno. Uma coisa influencia a outra.”
Nos bastidores, aliados avaliam que a pré-candidatura de Valdirene Tavares será uma espécie de cabo eleitoral, com o intuito de puxar votos para o partido Progressistas e dar mais fôlego à Celina Leão. Três pilares são considerados estratégicos para 2026: ligação com o eleitorado evangélico, forte atuação social e articulação com lideranças.
