A candidata ao Governo do Distrito Federal Paula Belmonte (PSDB) prestou solidariedade ao ex-governador José Roberto Arruda (PSD) durante o último debate antes do primeiro turno, realizado na noite desta terça-feira (29), em Brasília. Ao comentar a ausência do ex-candidato, que teve o registro indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada, Paula afirmou que gostaria de enfrentá-lo nas urnas e classificou a decisão que o retirou da disputa como um “tapetão”. “Eu peço uma licença para passar uma solidariedade de coração ao candidato Arruda. Eu queria ganhar de você, Arruda, mas eu queria ganhar nas eleições. Infelizmente, as pessoas tiraram você no tapetão. E a gente não concorda com isso”, declarou Paula durante o debate.

A candidata também direcionou a manifestação aos apoiadores e familiares do ex-governador. “Então, eu quero mandar uma solidariedade a todas as pessoas que são eleitores do Arruda, à família”, acrescentou.

A manifestação reforça uma posição que Paula já havia adotado após o julgamento do TSE. Na quinta-feira (24), depois da decisão, a candidata declarou respeito ao momento vivido pelo ex-governador e anunciou que pretendia procurá-lo, além de conversar com lideranças e apoiadores ligados a ele.

TSE barrou candidatura por 5 votos a 2

Arruda foi retirado da disputa pelo Governo do Distrito Federal após o TSE, por 5 votos a 2, confirmar em 24 de setembro a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) que havia indeferido o registro da candidatura.

A maioria acompanhou o voto do relator, ministro Dias Toffoli. Segundo o TSE, Arruda permanece inelegível em razão de condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora. A Corte determinou ainda o fim da condição de candidato sub judice, a interrupção da campanha e do acesso aos fundos eleitoral e partidário.

A defesa argumentava que alterações feitas na Lei da Ficha Limpa em 2025 permitiriam que Arruda disputasse a eleição, em razão da forma de contagem do período de inelegibilidade em processos conexos. O entendimento não prevaleceu. Para Toffoli, mesmo considerando a interpretação mais favorável ao ex-governador, permanecia uma condenação recente suficiente para impedir o registro.

Dois ministros divergiram da maioria.

Após o julgamento, Arruda anunciou que não recorreria da decisão e encerrou a campanha. O ex-governador também pediu aos apoiadores que não votassem nele, já que os votos seriam considerados inválidos.

Paula já havia procurado aproximação

Horas depois do julgamento, Paula Belmonte afirmou que pretendia conversar com Arruda e buscar o apoio dele à sua candidatura. Na ocasião, disse que respeitava a decisão da Justiça, mas que desejava apresentar seu projeto ao ex-governador e dialogar com suas lideranças e apoiadores.

No debate desta terça, Paula voltou ao assunto, desta vez com uma manifestação direta de solidariedade. Ela não foi a única candidata a questionar a saída de Arruda. Kiko Caputo (Novo) também criticou a decisão do TSE durante o debate e afirmou considerar o julgamento equivocado.

No caso de Paula, porém, a mensagem foi direcionada pessoalmente ao ex-governador e ao eleitorado que ficou sem candidato na reta final da disputa: “Eu queria ganhar de você, Arruda, mas eu queria ganhar nas eleições.”