A ausência da governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) marcou o debate realizado pela TV Globo na noite desta terça-feira (29), em Brasília, mas também abriu espaço para um encontro com maior exposição de propostas entre os quatro candidatos presentes. Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB) discutiram saúde, segurança pública, mobilidade, assistência social, economia e soluções específicas para diferentes regiões do Distrito Federal. Celina foi convidada pela emissora, mas optou por não participar.

A governadora, mesmo fora do estúdio, esteve presente no discurso dos adversários. Os quatro candidatos fizeram críticas à atual gestão em diferentes momentos, principalmente ao abordar a situação do Banco de Brasília (BRB), saúde pública e transporte. As acusações apresentadas durante o programa partiram dos candidatos e foram feitas no contexto da disputa eleitoral.

Ainda assim, o formato do encontro favoreceu uma discussão mais ampla sobre os planos de governo. Dividido em quatro blocos, o debate teve rodadas com temas definidos pela emissora, assuntos de livre escolha e uma etapa dedicada exclusivamente às demandas de grupos de regiões administrativas, que estenderam a transmissão até pouco mais das 00h.

A saúde pública apareceu entre os principais assuntos da noite. Leandro Grass afirmou que pretende tratar o setor como “prioridade máxima” e prometeu trabalhar para zerar filas de atendimento. Entre as propostas apresentadas estão novas unidades hospitalares, ampliação das unidades básicas de saúde e contratação de profissionais.

Paula Belmonte defendeu a valorização dos servidores e a construção de unidades de atendimento mais próximas da população. A candidata também voltou parte de seu discurso para as mulheres e mães atípicas, defendendo a criação de uma rede de apoio institucional.

Kiko Caputo, por sua vez, prometeu reforçar a Estratégia Saúde da Família e defendeu uma ampla reforma no Hospital Regional do Gama. Durante a rodada destinada às demandas regionais, afirmou que pretende criar pelo menos 200 novas equipes, com profissionais como pediatras, ginecologistas, psicólogos, dentistas e assistentes sociais.

Ricardo Cappelli prometeu ampliar o quadro de servidores e afirmou que pretende realizar uma espécie de “intervenção” administrativa na saúde para reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias.

Mobilidade coloca metrô no centro das propostas

A expansão do transporte sobre trilhos também aproximou parte dos discursos. Cappelli defendeu levar o metrô ao Gama e a Santa Maria, ampliar a linha de Ceilândia até o Setor O e fazer a conexão em direção a Águas Lindas, em parceria com o governo de Goiás.

Grass também defendeu ampliar o transporte sobre trilhos, inclusive com integração entre o Distrito Federal e municípios do Entorno. Além disso, propôs expansão da tarifa zero.

Kiko afirmou que pretende levar o metrô até Santa Maria e apresentou propostas de novas estradas-parque tanto de Brazlândia e Águas Claras para dar mais fluidez ao trânsito. Paula Belmonte falou em expansão do metrô até a Asa Norte e na implantação de um monotrilho em direção a Planaltina.

Segurança e assistência social

Na segurança pública, Paula Belmonte defendeu valorização das carreiras e investimentos em tecnologia. Cappelli propôs reforço dos efetivos e investimentos em inteligência policial. Kiko também prometeu recompor os quadros das polícias Civil e Militar, melhorar as condições de trabalho e ampliar estruturas especializadas de atendimento.

A insegurança alimentar também ganhou espaço. Questionado por Cappelli, Kiko defendeu a retomada do programa Cesta Verde, além da ampliação dos restaurantes comunitários. Cappelli prometeu aumentar o Cartão Prato Cheio para R$ 300 e ampliar o período de concessão do benefício para 36 meses.

Ausência de Celina vira argumento dos adversários

Embora o debate tenha avançado sobre propostas, a cadeira vazia de Celina Leão atravessou praticamente toda a noite. Grass, Belmonte, Cappelli e Kiko aproveitaram diferentes momentos para questionar a atual administração e direcionar críticas à candidata que lidera o governo do DF.

Paula, utilizou parte de seu tempo para questionar a falta de divulgação do balanço patrimonial do BRB. Grass também relacionou suas críticas ao banco e à atual gestão. Kiko questionou a condução do governo em áreas como segurança e transporte, enquanto Cappelli usou seus espaços para fazer acusações contra integrantes da administração e cobrar explicações.

Nas considerações finais, a ausência voltou a ser explorada. Grass afirmou que Celina “não veio”, enquanto Cappelli também destacou que a governadora não estava presente. Paula encerrou sua participação apresentando-se como alternativa à atual chefe do Executivo.

Sem a candidata à reeleição no estúdio, o último debate antes do primeiro turno acabou colocando frente a frente quatro candidaturas que tentam ocupar o espaço de alternativa ao atual governo. Entre críticas à gestão e divergências políticas, o encontro deu ao eleitor uma exposição mais detalhada de propostas para problemas cotidianos do DF, das filas da saúde aos congestionamentos, passando pela segurança, assistência social e infraestrutura das regiões administrativas.