Vereador investigado acusa promotora durante ato de campanha em Valparaíso
02 outubro 2026 às 19h08

COMPARTILHAR
A três dias do primeiro turno das eleições, o vereador de Valparaíso de Goiás Dênis Bento (Podemos), candidato a deputado estadual, criticou publicamente a promotora de Justiça Oriane Graciani de Souza, titular da 3ª Promotoria de Justiça do município. O parlamentar fez as declarações durante um ato de campanha e relacionou a manifestação da representante do Ministério Público a um caso envolvendo uma criança diagnosticada com uma doença rara.
Do alto de um carro de som, Dênis expôs a situação de uma família em condição de vulnerabilidade econômica. Segundo o vereador, a mãe da criança não estaria recebendo assistência adequada do poder público. Ele afirmou ainda que teria atuado pessoalmente para conseguir uma fórmula alimentar especial necessária ao tratamento da menina e uma vaga em uma unidade de ensino.
As declarações, no entanto, foram feitas sem que o parlamentar apresentasse, durante o discurso, documentos ou outros elementos que comprovassem as afirmações.
A atuação da promotora está relacionada à apuração sobre a ajuda oferecida pelo candidato à família. A legislação eleitoral estabelece regras específicas para a oferta de bens ou vantagens a eleitores durante o período de campanha. A Lei nº 9.504/1997 prevê punições para casos em que fique caracterizada a captação ilícita de sufrágio, quando há oferecimento ou entrega de vantagem ao eleitor com a finalidade de obter voto.
A eventual existência de contrapartida eleitoral e as circunstâncias em que a assistência foi prestada são justamente questões que podem ser analisadas pelo Ministério Público Eleitoral.
Durante o discurso, Dênis questionou por que a promotora não teria direcionado sua atenção às dificuldades enfrentadas pela família.
“Por que que não tinha leite da sua filha? Por que que eles não arrumavam vaga na escola? Não perguntou. Sabe por quê? A preocupação deles não é com o que tá faltando para o povo, não. A preocupação deles é com quem tá ameaçando esse sistema corrupto, com quem tá na boca e lutando pelas pessoas”, declarou.
Sem apresentar fatos concretos para sustentar a acusação, o vereador também insinuou a existência de um suposto “sistema corrupto” interessado em persegui-lo.
As declarações ocorreram em meio à investigação envolvendo a atuação do candidato no atendimento à família da criança. Eventuais irregularidades eleitorais dependem da análise das circunstâncias do caso e das provas reunidas pelos órgãos responsáveis.
