Moradores de Abadiânia denunciam água barrenta e cobram explicações sobre tarifas do SAAE
12 outubro 2026 às 10h57

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Moradores de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, denunciam problemas na qualidade da água distribuída pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). Segundo os relatos, a água chega às torneiras com coloração amarronzada, aspecto de barro e, em alguns casos, cheiro desagradável. Os consumidores também questionam os valores cobrados nas contas de água e esgoto.
Pamela Mendes, moradora do Residencial Leblon II, afirma que, além das tarifas consideradas elevadas, a água apresenta alterações que geram insegurança para o consumo doméstico. Ela vive no local com o marido e dois filhos, relata preocupação com a saúde da família. “Além da taxa de esgoto vir um absurdo de cara, a água vem muito suja durante todo o dia e está fazendo mal para crianças e adultos”, afirma Pamela. Segundo ela, a filha apresentou um quadro de diarreia.
A mãe Junaia Rabelo, que mora no bairro Prolongamento 1 relata que a filha de apenas 1 ano de idade teve uma inflamação nos olhos. De acordo com a mãe, o médico que atendeu a criança teria associado o problema à água. A relação entre os sintomas relatados e a qualidade do abastecimento, no entanto, não foi comprovada por exames apresentados à reportagem.
Imagens compartilhadas por moradores mostram água com tonalidade amarronzada armazenada em baldes e bacias. Os registros motivaram questionamentos sobre as condições do abastecimento e a segurança para o uso e o consumo.
A moradora do bairro Centro, Leydiane Siqueira, compartilha da mesma indignação na qualidade da água: “A água vem suja e está vindo muito cara”, desabafa.
Diretor afirma que água passa por controle de qualidade
Procurado pelo Jornal Opção Brasília/Entorno, o diretor do SAAE, Thiago Rodrigues Alvarenga, afirmou que o serviço adota procedimentos de controle da qualidade da água e que a Vigilância Sanitária solicita documentação mensal sobre o abastecimento.
Durante a entrevista, o diretor disse que não tinha conhecimento prévio das reclamações relatadas pelos moradores e pediu informações sobre os locais e as circunstâncias em que a água estaria chegando com alterações de cor e aspecto.

Apesar da falta de conhecimento relatado pelo diretor da autarquia, diversos moradores, inclusive em grupos de mensagem relatam ocorrências com a qualidade da água há anos, principalmente quando inicia o período chuvoso, porém, não há providências para resolver a situação.
Além da qualidade da água, os consumidores reclamam dos valores cobrados pelo serviço. Pamela informou que recebeu uma fatura de R$ 224,03, pelo consumo de 21 metros cúbicos água, que deveria ser totalmente potável.
Alvarenga também explicou que a tarifa de esgoto cobrada pelo SAAE corresponde a 60% do valor da água. Segundo ele, o percentual é inferior ao praticado pela Saneago, que, conforme sua declaração, cobra o equivalente a 100%.
A reportagem não teve acesso, nesta apuração, a uma tabela tarifária completa que permitisse verificar de forma independente se o valor cobrado na fatura está correto.
Reclamações antigas e falta de esclarecimentos
Durante a entrevista, o diretor afirmou que precisa identificar os pontos específicos onde os problemas estariam ocorrendo antes de apresentar uma explicação conclusiva. Ele defendeu que os dados sejam formalizados para que a equipe técnica possa avaliar as reclamações. O diretor se comprometeu a receber as informações e dar uma resposta após a análise dos documentos.
O caso reacende a preocupação dos moradores com o abastecimento no município. Para esclarecer a situação, são necessárias análises da água nos pontos indicados pelos consumidores, além da divulgação dos resultados do controle de qualidade realizado pelo serviço.
Enquanto não houver uma avaliação técnica dos registros, não é possível afirmar que a água mostrada nas imagens esteja contaminada ou que tenha causado os problemas de saúde relatados pelos moradores.
Moradores esperam que a água que chegue nas torneiras seja realmente potável, para ser segura para o consumo humano, o que significa que ela precisa ser incolor (sem cor), inodora (sem cheiro) e insípida (sem sabor), além de estar livre de microrganismos e substâncias que causem doenças.
