Ex-presidente do BRB diz à PF que Ibaneis autorizou sua saída para assumir cargo ligado ao Master
30 outubro 2026 às 12h20

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O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal (PF), em depoimento prestado em 15 de outubro, que recebeu uma proposta do banqueiro Daniel Vorcaro para comandar uma holding financeira que reuniria instituições ligadas ao Banco Master, incluindo uma participação no BRB. Segundo o executivo, o convite foi formalizado em outubro de 2024 e discutido com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que teria concordado com sua saída antecipada da presidência do banco público.
O relato integra as investigações sobre as operações financeiras entre o BRB e o Master. A proposta de emprego passou a ser examinada pelos investigadores diante da possibilidade de conflito de interesses nas negociações conduzidas entre as instituições.
De acordo com Paulo Henrique, a nova estrutura empresarial ainda estava em fase de organização e seria controlada por negócios ligados a Vorcaro. Para assumir o cargo, ele precisaria deixar a presidência do BRB e se desligar de outras funções públicas.
O ex-presidente afirmou que procurou Ibaneis antes de responder ao convite, por considerar que havia assumido o compromisso de permanecer à frente do banco até o cumprimento das metas estabelecidas para sua gestão. Segundo seu depoimento, o então governador não apresentou objeções à saída antecipada.
A declaração acrescenta um novo elemento à investigação: a possibilidade de o dirigente responsável pela administração de um banco público assumir uma posição de comando em uma estrutura privada vinculada ao grupo com o qual a instituição mantinha negociações. O convite, entretanto, não chegou a resultar na contratação, conforme o próprio ex-presidente declarou à PF.
Outro ponto examinado pelos investigadores envolve tratativas relacionadas a seis apartamentos de luxo localizados em Brasília e São Paulo. Durante o depoimento, Paulo Henrique foi questionado sobre a possibilidade de os imóveis representarem benefícios pessoais associados às negociações com Vorcaro.
O ex-presidente negou ter recebido ou negociado os apartamentos como vantagem indevida. Segundo ele, a busca por imóveis estava relacionada à necessidade de residir em São Paulo caso assumisse a presidência da holding.
Paulo Henrique explicou que havia colocado como condição para aceitar o novo emprego o fornecimento de moradia nas cidades em que precisasse trabalhar. O executivo sustentou que essa exigência integraria o contrato de trabalho e que o acordo não foi concluído.
A existência das tratativas imobiliárias passou a ser analisada no contexto mais amplo das relações entre os dirigentes envolvidos nas operações financeiras. Até o momento, o relato apresentado não permite concluir que os imóveis tenham sido efetivamente transferidos ao ex-presidente do BRB.
Polícia Federal aponta interferência nas decisões do BRB
As declarações de Paulo Henrique Costa surgem em meio a uma investigação que também examina a participação do então governador Ibaneis Rocha nas decisões relacionadas ao Banco Master.
Em relatório, a Polícia Federal sustenta que decisões estratégicas envolvendo as duas instituições eram submetidas à apreciação de Ibaneis antes de passarem pelas instâncias formais de governança do BRB.
Para os investigadores, esse funcionamento indicaria uma concentração de decisões fora dos procedimentos institucionais previstos para a administração do banco público.
A PF também aponta que o Banco Master teria alcançado participação indireta na estrutura acionária do BRB por meio de fundos de investimento, entre eles Borneo, Verbier e Delta.
Segundo a investigação, essas estruturas teriam sido utilizadas para dificultar a identificação dos beneficiários finais e evitar a caracterização formal de controle ou participação relevante.
Os investigadores classificaram os indícios de interferência política como possível situação de captura institucional, expressão utilizada para descrever circunstâncias em que decisões de uma instituição passam a atender interesses específicos em prejuízo de sua finalidade pública.
As conclusões fazem parte da investigação policial e não representam decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
O que dizem as defesas
A defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que o ex-presidente não possuía autonomia para concretizar sozinho operações envolvendo o BRB. Em manifestação, os advogados destacaram que decisões dessa dimensão dependiam da aprovação do Conselho de Administração e dos mecanismos internos de governança da instituição.
A defesa também ressaltou que o Governo do Distrito Federal era o acionista majoritário do banco e participava de sua estrutura decisória. Os advogados afirmaram que Paulo Henrique permanece confiante de que poderá esclarecer os fatos investigados.
Ibaneis Rocha, por sua vez, já negou ter interferido nas operações entre o BRB e o Banco Master. Em manifestação sobre as investigações, sustentou que Paulo Henrique Costa possuía autonomia técnica e responsabilidade pela condução dos negócios da instituição.
As declarações do ex-presidente e as conclusões apresentadas pela Polícia Federal deverão ser analisadas no decorrer da investigação, que busca identificar as responsabilidades pelas operações realizadas entre as instituições financeiras.
