Avô teria registrado hematomas antes da morte de menina de 2 anos no Entorno do DF
04 novembro 2026 às 16h24

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A morte de Ísis Gabrielly Lemos Nascimento, de 2 anos, nesta quarta-feira (4), em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal, é investigada pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) após a criança dar entrada na UPA 24 Horas do Lago Azul em parada cardiorrespiratória, com lesões e hematomas pelo corpo. O padrasto, Felipe de Souza Neckel da Silva, de 23 anos, foi preso em flagrante. Relatos de familiares indicam que as marcas já haviam sido percebidas antes da morte e que o avô da menina chegou a registrar os ferimentos.
A Polícia Militar de Goiás (PMGO) foi acionada por profissionais de saúde que identificaram sinais suspeitos durante o atendimento. O padrasto foi detido na unidade e encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Luziânia. A mãe da criança também foi conduzida para prestar esclarecimentos.
Avô tentou confrontar suspeito dentro da UPA
A morte provocou momentos de revolta entre familiares. Segundo informações divulgadas pelo perfil local Coisas do Gama, o avô paterno de Ísis encontrou o padrasto na UPA 24 Horas de Novo Gama e tentou avançar contra ele.
A aproximação foi impedida por policiais militares que estavam no local.
Durante o episódio, o avô teria gritado em direção ao investigado: “O que você fez com a minha neta, seu desgraçado?”
O confronto ocorreu após a criança ser levada à unidade de saúde, onde sua morte foi constatada. A intervenção policial impediu que a situação evoluísse para uma agressão física.
Marcas teriam sido registradas antes da morte
Além da reação na unidade de saúde, relatos divulgados sobre o caso apontam que o avô já havia identificado e registrado marcas no corpo da neta antes do ocorrido.
Segundo essas informações, o padrasto justificava os hematomas como possíveis reações alérgicas.
O avô Klinger de Oliveira, de 43 anos, também relatou que familiares começaram a desconfiar das lesões aproximadamente 15 dias antes da morte. “A gente alertou muito, mas ela sempre ficou jogando aos meus pés e se desfazendo de mim o tempo todo. Os sintomas começaram a aparecer uns 15 dias atrás. A partir daí, ficamos com uma pulga atrás da orelha e alertando”, afirmou.
Segundo ele, a mãe da criança e o padrasto mantinham um relacionamento havia cerca de três meses. O avô disse que chegou a questionar a filha sobre os hematomas, mas que as suspeitas foram rejeitadas.
Ainda não há confirmação oficial sobre a existência de fotografias, registros formais ou comunicações anteriores aos órgãos de proteção à infância.
A eventual existência desses materiais poderá contribuir para estabelecer quando as lesões surgiram e se havia indícios anteriores de violência.
Versão do padrasto é questionada pela polícia
O tenente-coronel Ricardo Edson, comandante do 14º Batalhão da PMGO, informou que o padrasto teria solicitado ajuda a pedestres que passavam em frente à residência para socorrer a menina.
Segundo o oficial, o investigado afirmou que a criança sofreu uma queda enquanto tomava banho. “Em depoimento, o padrasto disse que estava dando banho na criança e ela caiu. Porém, essa versão não condiz com o que foi observado pela equipe médica”, declarou.
A mãe de Ísis também teria relatado à polícia que a filha apresentava hematomas dias antes da morte e que o companheiro atribuía as marcas a uma alergia.
As divergências entre as explicações apresentadas e os ferimentos observados pela equipe médica estão entre os elementos que deverão ser esclarecidos pela investigação.
Polícia aponta antecedentes do investigado
De acordo com a PMGO, Felipe possui registros policiais anteriores relacionados a homicídio, organização criminosa e estupro de vulnerável.
A corporação também afirmou que o investigado teria ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
As informações são atribuídas à Polícia Militar e não significam, por si só, a existência de condenações definitivas. Também não estabelecem responsabilidade pela morte da criança.
Morte provoca comoção entre conhecidos
A morte de Ísis Gabrielly repercutiu entre pessoas que conviveram com a menina.
Uma mulher identificada como Lilliany relatou nas redes sociais que cuidou da criança durante um período e acompanhava seu crescimento.
“Cuidamos dela por um tempo. Uma menina impressionante, muito linda e esperta. Simplesmente me apaixonei por ela”, escreveu.
Outra conhecida da família, Magna Nepomuceno, afirmou conhecer a mãe de Ísis e descreveu a relação entre as duas como afetuosa. “A mãe tratava como uma princesinha, uma boneca de porcelana. Fazia de tudo por ela. Que Deus a conforte e conceda muita força e sabedoria”, publicou.
Investigação deverá esclarecer se houve alertas anteriores
A Polícia Civil de Goiás deverá apurar a origem das lesões, as circunstâncias da morte e as versões apresentadas pelas pessoas envolvidas.
Os relatos de que familiares já haviam percebido hematomas levantam uma questão adicional: se os sinais eram conhecidos antes da morte, houve alguma comunicação ao Conselho Tutelar ou a outro órgão da rede de proteção?
Também será necessário esclarecer se os supostos registros feitos pelo avô existem, quando foram produzidos e se poderão ser utilizados na investigação.
Até o momento, não foram apresentados resultados conclusivos dos exames periciais que determinem a causa da morte.
O padrasto permanece apontado como principal suspeito nas informações policiais divulgadas, enquanto a investigação busca estabelecer as responsabilidades pelo ocorrido.
