A mobilização de professores da rede pública do Distrito Federal, realizada na manhã desta quinta-feira (23), na Praça do Buriti, resultou em avanços nas negociações com o governo local. Segundo o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), o ato foi considerado vitorioso antes mesmo de começar, após o Executivo revogar, ainda na terça-feira (21), a portaria nº 167, que previa a redução dos vencimentos de profissionais em regime de contrato temporário.

Com a adesão de centenas de educadores em frente ao Palácio do Buriti, o governo aceitou receber a comissão de negociação do Sinpro para discutir demandas da categoria. Participaram do encontro os secretários da Casa Civil, Raimundo Dias Júnior; da Economia, Valdivino Oliveira; da Educação, Iêdes Braga; e de Governo, Takane Kiyotsuka.

Durante a reunião, representantes do sindicato apresentaram uma série de reivindicações. Entre os principais pontos, está a criação de uma folha suplementar ainda em abril para ressarcir perdas salariais de professores temporários. Também foram discutidos o retorno do pagamento por jornada de trabalho — em substituição ao modelo por hora adotado desde 2007 e a substituição do sistema EducaDF por uma plataforma mais adequada à realidade das escolas do DF.

A comissão também voltou a cobrar o cumprimento do acordo firmado após a greve de 2025, que previa a nomeação de 3 mil profissionais aprovados no concurso de 2022. Segundo o sindicato, o número ainda não foi alcançado. Representantes pediram mais agilidade nas convocações, especialmente nos casos em que nomeações foram tornadas sem efeito.

Outra pauta mantida nas negociações é a realização de um novo concurso público. De acordo com o Sinpro, o governo se comprometeu a publicar o edital ainda no primeiro semestre. A entidade defende que, antes disso, seja zerado o cadastro reserva atual, diante da necessidade de ampliação do quadro efetivo da rede pública.

Integrantes da comissão destacaram que as reivindicações contemplam tanto professores efetivos quanto temporários. Segundo o sindicato, a categoria atua de forma unificada em defesa da educação pública e dos direitos dos trabalhadores.

Como desdobramento da mobilização, uma reunião com a governadora está prevista para a próxima semana. A expectativa é que os temas apresentados avancem nas negociações.

A direção do Sinpro avaliou o ato como um passo importante para fortalecer o diálogo com o governo e afirmou que novas mobilizações podem ocorrer. Segundo o sindicato, a unidade da categoria foi fundamental para garantir os resultados obtidos até o momento.