Professora morre após receber aplicação contra queda de cabelo em salão de Ceilândia
13 setembro 2026 às 14h49

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A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte da professora Lidiane Gomes de Souza Alves, de 50 anos, ocorrida no sábado (5), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do P Norte. Ela apresentou falta de ar e sudorese intensa cerca de duas horas após receber uma substância injetável, apresentada como um complexo vitamínico para queda de cabelo, em um salão localizado no Setor P, em Ceilândia. A apuração busca identificar o material aplicado e determinar se o procedimento provocou a reação que levou ao óbito.
O caso está sob responsabilidade da 23ª Delegacia de Polícia. O inquérito apura possível homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica. As informações foram confirmadas pelo delegado responsável pela investigação.
Segundo o marido da professora, Valdeci Alves, Lidiane saiu de casa por volta das 16h informando que iria a um salão. Ela retornou aproximadamente duas horas depois, com dificuldade para respirar, bastante suada e com sinais de mal-estar.
Valdeci levou a esposa imediatamente para a UPA do P Norte. Devido à gravidade do quadro, ela foi encaminhada à sala vermelha e intubada. De acordo com o relato do marido, a professora sofreu sete paradas cardíacas e não resistiu.
Ainda conforme Valdeci, Lidiane tinha bronquite asmática desde a infância, mas não utilizava medicamentos de forma contínua. Ele afirmou que não sabia que a esposa receberia a aplicação e que ela não costumava frequentar aquele estabelecimento.
Responsável apresentou-se como biomédica
Após ser questionado pela equipe médica sobre os produtos utilizados, Valdeci retornou ao salão para obter informações e fotografar as embalagens. A pessoa responsável pela aplicação teria se apresentado à família como biomédica e acompanhado o marido da vítima até a unidade de saúde.
Ela também teria mostrado uma lista com nomes de outras pessoas que receberam aplicações no estabelecimento. A formação profissional e a habilitação da responsável para realizar o procedimento ainda são verificadas pela investigação.
Posteriormente, a mulher compareceu à delegacia acompanhada de defesa e exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Frascos e seringas foram recolhidos
A Polícia Civil realizou uma perícia no salão e recolheu seringas, frascos com líquidos e caixas de diferentes produtos. Entre os nomes encontrados nas embalagens estão nicotinamida, ácido hialurônico, colágeno de placenta de ovelha, niacinamida associada a peptídeos e GHK-Cu, composto ligado ao cobre.
A identificação nas embalagens, entretanto, não confirma qual substância foi aplicada nem se o conteúdo dos recipientes corresponde aos respectivos rótulos. O material foi encaminhado para análise pericial.
O delegado Petter Ranquetat informou que ainda não é possível apontar qual produto teria desencadeado a reação. A investigação também considera que Lidiane havia passado anteriormente por outros procedimentos químicos nos cabelos.
Salão não tinha licença sanitária
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que o estabelecimento não possuía licença sanitária nem cadastro na Vigilância Sanitária.
Segundo a pasta, o imóvel está registrado como exclusivamente residencial e não tinha autorização para o funcionamento de atividades comerciais nas áreas de saúde ou estética.
A Polícia Civil aguarda os laudos do Instituto de Medicina Legal (IML) e do Instituto de Criminalística. Os exames deverão indicar a causa da morte, a composição das substâncias recolhidas e uma eventual relação entre a aplicação e o quadro apresentado pela professora. A previsão informada é de que o laudo do IML seja concluído em até 30 dias.
