Vistorias realizadas na orla do Lago Paranoá, no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), identificaram ocupações irregulares de áreas públicas, comércio sem autorização, descarte inadequado de lixo e atividades que podem estar em desacordo com as regras ambientais e urbanísticas da região.

O levantamento foi realizado entre agosto e setembro de 2026, na área conhecida como Centro de Lazer Beira-Lago, e motivou uma reunião nesta segunda-feira (5) entre o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e representantes de órgãos públicos do DF.

Entre as situações encontradas estão barracas, trailers, tendas e vendedores ambulantes instalados em espaços públicos sem autorização. Áreas verdes e vagas de estacionamento também estariam sendo utilizadas para atividades comerciais.

As vistorias ainda registraram veículos circulando em locais destinados à preservação ambiental.

Lixo, fogueiras e churrasqueiras improvisadas

Outro problema apontado pelo levantamento é o descarte de resíduos. Foram encontrados resíduos sólidos em áreas verdes, nas margens do Lago Paranoá e em locais destinados à circulação de pedestres.

O documento também relata a presença de churrasqueiras improvisadas e vestígios de fogueiras, práticas consideradas incompatíveis com as restrições ambientais aplicáveis à região.

Atividades de aluguel de equipamentos náuticos, como caiaques e pedalinhos, também entraram no levantamento. A avaliação é de que será necessário verificar se os serviços possuem regularização e se são compatíveis com o zoneamento e as normas de utilização do Lago Paranoá.

Falta de infraestrutura também é apontada

O diagnóstico não se limita às ocupações. O levantamento identificou falta de infraestrutura adequada para atender quem frequenta a região, incluindo banheiros, mobiliário urbano e espaços de apoio.

Segundo o parecer, a deficiência de estrutura contribui para a instalação de equipamentos provisórios e para a ocupação desordenada dos espaços públicos.

Também foi registrada a presença de pessoas em situação de rua nas proximidades da Ponte JK e nos acessos laterais à orla.

O documento aponta indícios de incompatibilidade entre algumas das ocupações e atividades encontradas e as normas urbanísticas e ambientais aplicáveis à região. Entre as medidas recomendadas estão a intensificação da fiscalização, a conferência das licenças das atividades comerciais e o ordenamento da área.

Órgãos discutem fiscalização

A situação foi discutida nesta segunda-feira (5) em reunião que reuniu MPDFT, Detran-DF, Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros, DF Legal, Iphan, Adasa, Brasília Ambiental, secretarias do Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Desenvolvimento Social, além da Marinha do Brasil, Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e Administração Regional do Plano Piloto.

O promotor Dênio Augusto de Oliveira Moura, da 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), afirmou que a atuação busca conciliar o acesso da população à orla com segurança, ordenamento urbano e preservação ambiental.

O levantamento também aponta a necessidade de melhorar a prestação de serviços públicos e disponibilizar infraestrutura compatível com as diferentes atividades realizadas na região.