Servidores da carreira de assistência social do Governo do Distrito Federal (GDF) indicaram a possibilidade de greve a partir do dia 10 de março. A decisão preliminar foi tomada em assembleia realizada no último dia 3 pelo Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do GDF (SINDSASC).

Segundo o presidente da entidade, Cleiton Avelar, a paralisação ainda depende de uma nova assembleia marcada para o próprio dia 10, às 9h, na sede da Secretaria de Desenvolvimento Social, na 515 Norte, onde os servidores irão avaliar se o governo apresentará alguma proposta para a categoria.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção Entorno, Avelar afirmou que, caso não haja avanço nas negociações, a greve poderá ser confirmada imediatamente. “Se o governo não apresentar proposta alguma, a greve começa no próprio dia 10. Caso apresente, a categoria vai avaliar em assembleia e decidir se confirma ou não a paralisação”, explicou.

A carreira de assistência social atua em três secretarias do GDF: Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) e Secretaria da Mulher.

De acordo com o sindicato, aproximadamente 1,9 mil servidores trabalham atualmente nessas áreas, que atendem diretamente populações em situação de vulnerabilidade.

Caso a greve seja confirmada, diversos serviços podem ser impactados, entre eles:

  • CRAS (Centros de Referência de Assistência Social)
  • CREAS (Centros Especializados de Assistência Social)
  • Centro POP, voltado à população em situação de rua
  • Unidades de acolhimento e centros de convivência
  • Casas da Mulher Brasileira e casas-abrigo
  • CEAM (Centros Especializados de Atendimento à Mulher)
  • Serviços ligados ao sistema de justiça e cidadania

Segundo Avelar, esses equipamentos concentram grande parte do atendimento social do Distrito Federal.

Defasagem de servidores

O presidente do sindicato afirma que a carreira enfrenta um déficit significativo de profissionais. Pela legislação, o quadro deveria contar com 5,5 mil servidores, mas atualmente apenas cerca de 1,9 mil estão em atividade. “O teto que já tivemos foi de aproximadamente 2,5 mil servidores. Hoje estamos com 1,9 mil, muito abaixo do previsto na lei da carreira”, disse.

Entre os motivos apontados para a redução estão aposentadorias e a saída de profissionais para outras carreiras consideradas mais atrativas.

Principais reivindicações

A categoria entregou ao GDF, em janeiro de 2025, uma pauta com 19 reivindicações. O principal ponto é a criação da Gratificação por Habilitação (GH), benefício concedido a servidores que apresentam títulos acadêmicos como graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado.

Segundo o sindicato, 27 carreiras do GDF já recebem esse tipo de gratificação, e os servidores da assistência social pedem inclusão no mesmo modelo. “Queremos ser a 28ª carreira a ter esse direito. A gratificação reconhece a qualificação profissional do servidor”, afirmou Avelar.

Outro ponto defendido pela categoria é a realização de novo concurso público para reduzir a carência de profissionais. O sindicato afirma que o governo já autorizou a seleção, mas cobra a contratação da banca organizadora e a publicação do edital.

Para o presidente do SINDSASC, o trabalho realizado pela carreira é fundamental para a execução de programas sociais, mas não tem recebido o reconhecimento necessário. “O governo divulga muito os resultados das políticas sociais, como programas de assistência e benefícios. Mas esses resultados só existem porque há servidores realizando o atendimento à população”, disse.

A categoria aguarda agora a apresentação de uma proposta do GDF antes da assembleia decisiva marcada para 10 de março, que poderá confirmar ou suspender o início da greve.