Deputado Fábio Félix contesta versão da PMDF e reforça agressão durante bloco de carnaval no DF
19 fevereiro 2026 às 15h16

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O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) contestou as declarações do governo sobre o episódio ocorrido durante o Bloco O Rebu, no Distrito Federal. Em entrevista ao Jornal Opção Entorno, o parlamentar afirmou que foi acionado por artistas, produtores culturais e foliões que relataram uma abordagem policial que ele classificou como truculenta e uma prisão arbitrária de duas produtoras, incluindo uma organizadora do bloco.
Segundo o deputado, ele foi até o local na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, função que exerce há sete anos. Ao chegar, as produtoras já haviam sido levadas à delegacia. “Sequer tive a oportunidade de conversar com elas. A ação já tinha sido finalizada. É mentirosa a afirmação de que eu teria atrapalhado a atuação dos policiais”, declarou.
Fábio Félix afirmou que se aproximou dos policiais de forma respeitosa, com o objetivo de conversar com o comandante da operação. Ele disse que, mesmo após se identificar como parlamentar, foi ameaçado, empurrado e atingido com spray de pimenta. “Em nenhum momento agredi, destratei ou ameacei qualquer policial. Essa afirmação é falsa. Apenas tentei diálogo e fui agredido gratuitamente”, afirmou.
O deputado disse ainda que ligou para a comandante-geral da Polícia Militar, Ana Paula Barros Habka, para solicitar o envio de um responsável ao local. Segundo ele, sua atuação teve como objetivo fiscalizar a ação policial diante de denúncias de violência e arbitrariedade. “Nenhuma tentativa de criminalizar a minha atuação será tolerada. Vamos exigir a responsabilização dos policiais envolvidos e vamos até o fim na cobrança pela investigação das condutas”, afirmou.
Ele também reforçou que não teve contato com os jovens presos nem com as produtoras detidas. “Quando cheguei ao local do bloco eles já tinham sido presos. Não tentei atrapalhar qualquer ação policial porque ela já tinha acabado. Não sabia o que tinha acontecido e me apresentei às autoridades policiais com o objetivo de entender o que estava acontecendo”, disse.
O parlamentar registrou boletim de ocorrência por lesão corporal e abuso de autoridade, e garantiu que vai formalizar uma denúncia ao Ministério Público do Distrito Federal.
Relembre o caso
Após o ocorrido, o parlamentar procurou uma delegacia e registrou ocorrência contra o policial envolvido. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que estava no local após organizadoras do bloco serem levadas à delegacia enquanto tentavam intermediar uma situação com a polícia. Ele declarou que tentou agir de forma pacífica para entender o que estava acontecendo e relatou ter sido alvo de agressividade durante a abordagem.
Por outro lado, o major Brooke, da Polícia Militar do Distrito Federal, afirmou que a equipe realizava patrulhamento de rotina no evento quando cães farejadores indicaram a possível presença de drogas. Segundo ele, os policiais identificaram a presença de maconha e flagraram dois indivíduos trocando entorpecentes, que foram presos.
De acordo com o advogado Marcelo Almeida, defesa dos policiais envolvidos no caso, trata-se de fato no qual um cão da PMDF direcionou para duas pessoas que portavam certa quantidade de maconha durante um evento carnavalesco. Ao serem abordados e presos, organizadores do evento tentaram impedir a prisão e arrebatamento destes.
Obviamente não foi permitido, ocasião em que virou um tumulto generalizado entre alguns foliões e policiais, oportunidade em que de forma vergonhosa surgiu um parlamentar do DF, com o pretexto de defensor dos direitos humanos, criando mais ainda tumulto no local e dificultando a ação legítima dos Policiais Militares.
Foi necessário o uso de gás para dispensar as pessoas e assim permitir a execução dos trabalhos da PMDF.
Todos os envolvidos foram apresentados na DP, ocasião em que a Autoridade Policial entendeu por autuar uma das organizadoras por crime de desobediência e um dos dos detidos, por tráfico de drogas na modalidade privilegiado.
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