Imagens das Câmeras de hospital mostram atuação de técnicos presos em caso de mortes na UTI
22 janeiro 2026 às 11h10

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Imagens das câmeras de segurança do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, seguem como um dos principais elementos da investigação que apura a morte de três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os registros mostram a atuação dos três técnicos de enfermagem presos na semana passada enquanto trabalhavam nos setores onde as vítimas estavam internadas.
De acordo com a Polícia Civil, as gravações revelam a movimentação de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva nos quartos e leitos dos pacientes. Segundo a investigação, os horários registrados pelas câmeras coincidem com a piora repentina do quadro clínico das vítimas. Os vídeos permanecem sob sigilo judicial.
Ainda conforme a polícia, as imagens mostram Marcos Vinícius, apontado como principal suspeito, entrando sozinho nos quartos, permanecendo por poucos minutos ao lado dos pacientes e saindo em seguida. Pouco tempo depois, os monitores indicavam alterações graves nos sinais vitais, o que levantou a suspeita de aplicação irregular de substâncias. Em outros registros, ele aparece ao lado de um paciente e, em outra situação, sentado em frente a um computador, onde, segundo a investigação, teria utilizado senhas médicas sem autorização para emitir receitas falsas.
As câmeras também registram a presença de Amanda Rodrigues e Marcela Camilly nos locais onde ocorreram os atendimentos. As duas técnicas também estão presas, e a polícia apura se elas tiveram participação direta nos crimes ou se ajudaram a acobertar as condutas. Para os investigadores, as imagens reforçam a tese de que ambas tinham conhecimento das ações de Marcos Vinícius, acompanharam parte das intervenções e não comunicaram o ocorrido aos superiores.
Paralelamente à análise das imagens, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou que iniciou uma apuração preliminar após a prisão dos técnicos, suspeitos de aplicar alta dosagem de uma substância química nas vítimas. Na tarde desta quarta-feira (21), o presidente do Coren-DF, Elissandro Noronha, se reuniu com investigadores para obter mais detalhes sobre o caso. O conselho informou que o processo corre em segredo de justiça e que um pedido formal de acesso aos autos está sendo protocolado.
Os técnicos presos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22. Segundo o Coren-DF, conforme o que for apurado, as penalidades administrativas podem variar de advertência até o cancelamento definitivo do registro profissional. O conselho afirmou que, neste momento, não é possível emitir conclusões, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
A Polícia Civil do Distrito Federal informou que a investigação foi ampliada e que todos os profissionais que atuam nos cerca de 100 leitos da UTI estão sendo investigados. Até o momento, não há confirmação de outros suspeitos. O inquérito aponta para a participação dos três técnicos nas mortes da professora Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios; e de João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb.
Além das imagens, a polícia analisa celulares e notebooks apreendidos nas casas dos investigados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. O material está sendo examinado pelo Instituto de Criminalística e é considerado ponto-chave para esclarecer a motivação dos crimes. A hipótese de vantagem financeira ligada a funerárias foi avaliada e descartada.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que acompanha os desdobramentos do caso e afirma ter atuado com transparência desde o início. A direção declarou que identificou circunstâncias atípicas, realizou apuração interna em menos de 20 dias e comunicou o caso à Polícia Civil, colaborando com as investigações. O hospital informou ainda que entrou em contato com as famílias das vítimas após autorização da polícia, ofereceu apoio psicológico e reafirmou o respeito ao sigilo do paciente, à LGPD e ao segredo de justiça.
