Celina Leão chega a quase 1 milhão de votos e consolida força política com apoio de Michelle, Bia Kicis e Damares
26 outubro 2026 às 11h06

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A reeleição de Celina Leão (PP) ao Governo do Distrito Federal, no domingo (25), consolidou uma base eleitoral que ultrapassou os limites partidários e alcançou diferentes regiões de Brasília. Com 987.142 votos, equivalentes a 57,18% dos votos válidos, a governadora encerrou a disputa com uma votação próxima de um milhão de eleitores e uma aliança política que reuniu algumas das principais lideranças conservadoras da capital federal.
O resultado representa um crescimento de 161.612 votos em relação ao primeiro turno, quando Celina recebeu 825.530 votos, ou 49,93% dos válidos. Em três semanas, sua votação aumentou aproximadamente 19,6%, enquanto sua participação percentual avançou 7,25 pontos.
O desempenho ocorreu em uma eleição marcada por questionamentos à gestão, pela crise financeira do Banco de Brasília (BRB) e pelo fortalecimento eleitoral do adversário Leandro Grass (PT), que também ampliou sua votação.
A análise dos resultados revela três fatores centrais na trajetória de Celina: a manutenção de uma liderança territorial abrangente, a construção de uma candidatura própria a partir da estrutura do governo e a articulação com lideranças políticas de forte presença no eleitorado conservador.
Michelle, Bia Kicis e Damares ampliaram a sustentação política da candidatura
Um dos movimentos mais relevantes da campanha foi a aproximação de Celina com Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos), três lideranças com influência no cenário político do Distrito Federal.
Michelle e Bia foram eleitas senadoras pelo DF em 2026, enquanto Damares já ocupa uma cadeira no Senado. Juntas, representam diferentes espaços de articulação da direita, com presença entre eleitores conservadores, grupos ligados ao bolsonarismo e segmentos religisos.
A governadora passou a reunir, em torno de seu projeto de reeleição, figuras com eleitorados próprios e capacidade de mobilização pública. A presença dessas aliadas em agendas de campanha também reforçou a imagem de unidade entre diferentes forças conservadoras.
Do ponto de vista da ciência política, esse tipo de articulação é relevante porque uma eleição majoritária depende não apenas da identificação pessoal com o candidato, mas também da capacidade de reunir partidos, lideranças e grupos sociais em torno de uma candidatura.
No caso de Celina, a aliança pode ter contribuído para ampliar a mobilização eleitoral e fortalecer sua identificação com setores da direita, especialmente no segundo turno, quando a disputa ficou concentrada entre duas candidaturas.
Entretanto, não é possível determinar quantos votos foram diretamente influenciados por Michelle, Bia ou Damares. Para isso, seriam necessárias pesquisas específicas sobre a influência dos apoios e a motivação dos eleitores.
O que os resultados demonstram é que Celina conseguiu ampliar sua votação enquanto mantinha uma coalizão política com presença em diferentes segmentos do eleitorado brasiliense.
Vitória em 17 zonas eleitorais revela força nas regiões administrativas
A distribuição territorial dos votos é um dos elementos mais importantes para compreender o resultado. Celina venceu em 17 das 19 zonas eleitorais do Distrito Federal, incluindo áreas que abrangem Ceilândia, Samambaia, Taguatinga e Recanto das Emas. Leandro Grass ficou à frente apenas nas zonas correspondentes à Asa Norte e à Asa Sul.
Entre os maiores percentuais registrados pela governadora estão a zona que reúne Jardim Botânico e São Sebastião, com 61,93%, Samambaia, com 61,78%, e Recanto das Emas, com 60,70%.
Em números absolutos, a zona de Águas Claras registrou 76.023 votos para Celina, seguida pela de Ceilândia Norte e Brazlândia, com 70.254, e Samambaia, com 66.509. Esses números mostram que a candidatura obteve maiorias em regiões com características sociais e econômicas distintas.
A votação também evidencia que a liderança territorial da governadora não foi construída exclusivamente na reta final. Celina já havia vencido em 17 zonas eleitorais no primeiro turno.
O segundo turno ampliou sua votação, mas não provocou uma alteração significativa no mapa das regiões onde cada candidato liderava. Esse comportamento sugere a continuidade de uma base eleitoral distribuída pelo DF, embora os resultados não permitam identificar individualmente as razões pelas quais os eleitores mantiveram ou modificaram suas escolhas.
De vice-governadora a protagonista da disputa pelo Buriti
A trajetória de Celina até a reeleição também foi marcada por uma mudança de posição dentro do próprio grupo político.
Eleita vice-governadora na chapa de Ibaneis Rocha (MDB), em 2022, ela assumiu o comando do Executivo em março de 2026, após a saída do então governador.
A eleição representou sua primeira disputa pelo Governo do Distrito Federal como cabeça de chapa.
Durante a campanha, Celina procurou combinar o discurso de continuidade administrativa com a construção de uma identidade política própria.
A condição de governadora permitiu que apresentasse ações e resultados da administração, enquanto a articulação partidária reuniu forças de centro e de direita em torno de sua candidatura.
Essa combinação entre presença institucional e alianças políticas ajuda a compreender a estrutura da campanha, mas não significa que a utilização da posição de governadora tenha determinado o comportamento do eleitorado.
O resultado pode refletir diferentes fatores, como avaliação da gestão, identificação partidária, preferência pessoal e rejeição à candidatura adversária.
Crise do BRB colocou gestão sob pressão durante a campanha
A reeleição ocorreu em meio a uma das principais controvérsias enfrentadas pelo governo: a crise financeira do Banco de Brasília. As operações envolvendo o BRB e o Banco Master provocaram questionamentos sobre a situação da instituição, a transparência das informações financeiras e as medidas adotadas pelo Executivo.
O tema foi explorado pela oposição e ganhou espaço no debate eleitoral.
Mesmo diante desse cenário, Celina ampliou sua votação no segundo turno. O resultado demonstra que a crise não impediu a formação de uma maioria eleitoral favorável à governadora. Contudo, não permite concluir que os eleitores tenham aprovado a condução do caso ou considerado o assunto irrelevante.
A permanência das dúvidas sobre a situação financeira do BRB também representa um desafio administrativo para o novo mandato.
Grass também cresceu, mas não conseguiu reverter a vantagem
Embora Celina tenha vencido a eleição, o desempenho de Leandro Grass mostra que a disputa também foi marcada pela ampliação do eleitorado de oposição.
O candidato do PT passou de 569.930 votos no primeiro turno para 739.130 no segundo, crescimento de 169.200 votos.
Em números absolutos, Grass conquistou mais votos adicionais do que Celina entre as duas etapas.
Ainda assim, a diferença entre os candidatos caiu de 255.600 para 248.012 votos, redução de apenas 7.588.
O dado revela que, apesar do crescimento da oposição, Celina preservou uma vantagem expressiva.
A governadora conseguiu ampliar sua votação e manter a liderança em praticamente todo o mapa eleitoral do Distrito Federal, enquanto Grass concentrou suas vitórias nas zonas da Asa Norte e da Asa Sul.
O que a eleição representa para o futuro político de Celina?
A votação próxima de um milhão de eleitores e a aliança com Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves colocam Celina no centro de uma articulação política relevante no Distrito Federal.
A presença dessas lideranças, associada à composição partidária da campanha, demonstra a existência de uma rede de apoio que poderá participar das negociações políticas e institucionais durante o novo mandato.
Entretanto, apoio eleitoral e sustentação legislativa são dimensões diferentes. A governadora ainda precisará negociar com partidos e parlamentares para aprovar projetos e conduzir sua agenda administrativa.
Além disso, o resultado das urnas não elimina as cobranças relacionadas à saúde pública, ao transporte, à infraestrutura, ao equilíbrio fiscal e à crise do BRB.
A eleição de 2026 deixa, portanto, um quadro político com duas características simultâneas: uma governadora reeleita com maioria territorial abrangente e uma oposição que também conseguiu aumentar sua votação.
A principal marca da trajetória de Celina Leão foi transformar uma candidatura de continuidade em uma articulação política com alcance eleitoral em diferentes regiões do Distrito Federal. O apoio de Michelle, Bia Kicis e Damares integrou esse movimento, enquanto os resultados das urnas confirmaram a ampliação de sua votação.
O próximo capítulo dessa trajetória será definido menos pela quantidade de votos conquistados e mais pela capacidade de responder às demandas da população, administrar os conflitos políticos e apresentar resultados concretos no novo mandato.
