A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), promete a compra de 15 novos trens como uma das medidas para melhorar o transporte metroviário. A afirmação foi feita durante sabatina ao DF2, da TV Globo, nesta quinta-feira (15). A contratação, entretanto, ainda enfrentava um entrave administrativo dias antes.

Em 9 de outubro, o próprio Metrô-DF informou ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) que o edital para aquisição das composições aguardava liberação do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

A informação coloca em perspectiva a medida apresentada pela governadora: a compra foi citada como parte da modernização do sistema, mas os novos veículos ainda não haviam sido contratados, segundo a situação documentada seis dias antes da sabatina.

O procedimento havia sido suspenso temporariamente pelo TCDF em setembro, para esclarecimentos e providências antes de seu prosseguimento. A decisão foi preventiva e não representou o cancelamento definitivo da licitação.

Compra de trens ainda depende de etapas administrativas

Questionada sobre falhas recorrentes, problemas de manutenção e interrupções do serviço, Celina apontou a renovação da frota como uma das respostas do governo.

A governadora também mencionou investimentos de aproximadamente R$ 100 milhões em subestações de energia e defendeu a modernização dos sistemas para melhorar a operação.

A aquisição dos 15 trens, porém, não representa uma solução imediata para os passageiros.

Durante visita de procuradores do MPDFT às instalações da companhia, em 9 de outubro, representantes do Metrô-DF informaram que os novos veículos poderiam começar a circular em até 24 meses após a conclusão do processo licitatório.

Ou seja, mesmo com a liberação do edital, ainda haverá etapas de contratação e entrega antes de os trens entrarem em operação.

A necessidade de autorização do TCDF não era desconhecida pelo governo. Em 16 de setembro, Celina fez um apelo público ao Tribunal de Contas para acelerar a análise da licitação e afirmou que o Metrô-DF responderia às diligências solicitadas.

Na ocasião, também mencionou investimentos em cabeamento, sinalização e subestações de energia.

O registro do Ministério Público aponta ainda que a companhia informou ter ampliado de 16 para 22 o número de trens em circulação.

Esse aumento, entretanto, refere-se à frota já existente e não deve ser confundido com a aquisição das 15 novas composições.

A diferença é relevante porque a recuperação de veículos para operação pode produzir efeitos mais imediatos, enquanto a compra de novos trens depende da conclusão do procedimento licitatório e dos prazos de entrega.

Liberação do edital ainda precisa ser esclarecida

O ponto central é saber se houve alguma mudança na situação da licitação entre 9 de outubro, quando o Metrô-DF prestou informações ao MPDFT, e a sabatina de quinta-feira (15).

Sem uma confirmação atualizada do TCDF ou da companhia, não é possível afirmar que o edital permanecia suspenso na data da entrevista.

O que está documentado é que, seis dias antes, a contratação ainda aguardava liberação do órgão de controle.

Enquanto isso, a chegada dos novos trens permanece condicionada ao andamento da licitação, à contratação e à entrega dos veículos, sem uma data efetiva de entrada em circulação anunciada nas informações apresentadas.