Com Celina em baixa, disputa pelo governo do DF tende a se dar entre Arruda e Grass
12 julho 2026 às 19h34

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O Banco Master, de Daniel Vorcaro, fez sua primeira grande vítima em Brasília. O ex-governador Ibaneis Rocha, do MDB, desistiu de disputar mandato de senador. Nada tem a ver com cansaço, exceto se a palavra for sinônimo de pesquisa e desgaste.
As pesquisas mostram que, se fosse candidato, Ibaneis Rocha poderia perder para Michelle Bolsonaro, do PL, Leila do Vôlei, do PDT, e Érika Kokay, do PT. É provável, até, que, durante a campanha, a deputada federal Bia Kicis, do PL, também o superasse.
Mesmo que não esteja envolvida na corrupção das negociações entre o Banco de Brasília e o Banco Master, a segunda vítima pode ser a governadora Celina Leão, do pP. De alguma maneira, durante a campanha, todos os adversários vão colocar o conluio do BRB com Daniel Vorcaro, que está preso, no seu colo. Vai ser difícil retirá-lo daí.

Numa pesquisa divulgada pelo jornal “Correio Braziliense”, Celina Leão caiu para menos de 30%. O que, para quem está no governo, não é um bom negócio. Significa que se perdeu ou está se perdendo expectativa de poder.
Celina Leão não estagnou. É muito pior. Está caindo. Quem está no poder e começa a cair dificilmente se levanta.
Fica-se com a impressão de que, a pouco menos de três meses das eleições, já há um desgaste consolidado e em expansão. Por isso, se a governadora cair para o terceiro lugar, em breve, ninguém ficará surpreso.
Se o Banco Master retirar Celina Leão do páreo, “queimando-a”, há a possibilidade de que a disputa pelo governo do Distrito Federal se dê entre a centro-direita, com José Roberto Arruda, do PSD, e a esquerda, com Leandro Grass, do PT.

Celina ficará com Michelle ou Flávio?
Há outro problema de difícil resolução: se ficar com Michelle Bolsonaro, pré-candidata a senadora pelo PL, Celina Leão poderá perder o apoio de Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República pelo PL. Se ficar com Flávio Bolsonaro, perderá o apoio da mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Parte do PL de Brasília, por pragmatismo e realismo, não quer caminhar com Celina Leão. Porque avalia que a governadora é, cada vez mais, carta fora do baralho. Hoje só tem alguma força porque comanda o orçamento do governo. Não há mais nenhum entusiasmo com sua candidatura.

Por isso, parte do PL já começa a caminhar com José Roberto Arruda. É o caso do senador Izalci Lucas, um dos políticos do PL com mais capacidade de articulação em Brasília.
De acordo com duas fontes do Partido Liberal em Brasília, Celina Leão, em queda livre, já está “prejudicando” as pré-candidatas do PL ao Senado. Na pesquisa citada, Michelle Bolsonaro aparece com menos de 39% e assiste a senadora Leila do Vôlei, do PDT, cada vez mais próxima.

A pré-candidata do PT ao Senado, Érika Kokay, também está crescendo e já figura em terceiro lugar. Bia Kicis, com a saída de Ibaneis Rocha, está em quarto lugar. Michelle Bolsonaro pode cair? Dificilmente. Mas há indícios de que Celina Leão começa a atrapalhá-la.
Ante a falta de expectativa de poder de Celina Leão, o que se comenta no Palácio do Planalto, no Senado, na Câmara dos Deputados, na Câmara Distrital, na Esplanada dos Ministérios e até no Palácio Buriti, entre figuras conhecidas e respeitadas da política de Brasília, é que a disputa será, no final das contas, entre Arruda e Grass. Centro-direita contra esquerda.
O PL, que não apoia o PT, certamente acabará ficando com Arruda. (E.F.B.)
