A repercussão de declarações publicadas nas redes sociais levou Fabiana Ribeiro Guimarães a deixar o cargo de diretora de Tecnologia e Inovação do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU-DF). A exoneração, solicitada pela própria servidora, foi oficializada em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) na quinta-feira (29).

O episódio ganhou repercussão após a então diretora divulgar uma sequência de mensagens com ataques a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a pessoas que recebem benefícios de programas sociais, como o Bolsa Família.

Nas publicações, feitas após o resultado das eleições presidenciais de 25 de outubro, Fabiana afirmou que não pretendia manter contato ou relacionamento com pessoas identificadas politicamente com o PT. Em outra mensagem, ironizou beneficiários de programas de transferência de renda e desejou que essas pessoas enfrentassem dificuldades financeiras.

Em um dos trechos publicados, a então diretora escreveu que estava disposta a perder seguidores por se posicionar contra o partido. Também afirmou que pessoas dependentes do Bolsa Família deveriam sofrer as consequências da situação econômica.

As manifestações provocaram críticas e questionamentos sobre a postura de uma ocupante de cargo de direção na administração pública.

Além dos ataques de natureza política e social, Fabiana compartilhou uma imagem produzida com recursos de inteligência artificial na qual aparecia segurando uma placa com a frase: “Eu odeio ser baiana”.

A publicação ampliou a repercussão negativa do episódio, que passou a envolver questionamentos sobre possíveis manifestações de caráter xenofóbico.

SLU confirma desligamento e se posiciona

Em manifestação oficial, o Serviço de Limpeza Urbana confirmou que Fabiana não integra mais o quadro de servidores da autarquia.

O órgão também ressaltou que as declarações divulgadas pela ex-diretora foram de caráter pessoal e não representam os valores, o posicionamento institucional do SLU ou do Governo do Distrito Federal (GDF).

Antes da exoneração, a autarquia havia informado que encaminharia o caso às instâncias internas para avaliação preliminar e eventual adoção de medidas administrativas.

Caso chegou ao Ministério Público

A repercussão também alcançou a esfera institucional. O deputado distrital Gabriel Magno (PT) encaminhou solicitações à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e ao próprio SLU, cobrando a apuração das declarações.

O parlamentar questionou o conteúdo das publicações e pediu providências diante de possíveis irregularidades, incluindo a análise de eventuais práticas discriminatórias.

O MPDFT também recebeu o caso para avaliação. A análise deverá considerar o conteúdo das manifestações e os possíveis desdobramentos jurídicos.

Ex-diretora publicou pedido de desculpas

Após a repercussão, Fabiana também se manifestou em suas redes sociais, reconhecendo que suas declarações provocaram ofensas e pedindo desculpas.

Na mensagem, afirmou que as publicações foram feitas de maneira impulsiva e admitiu ter realizado julgamentos precipitados e injustos. Ela também declarou assumir a responsabilidade pelo conteúdo divulgado.

A exoneração foi formalizada a pedido da própria diretora, antes da conclusão de eventual procedimento administrativo relacionado às publicações.