A educação pública foi um dos temas discutidos no debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal, realizado nesta terça-feira (1º). Durante o confronto com Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT) apresentou propostas para a área e defendeu a ampliação do modelo de escolas em tempo integral.

Questionado pela adversária sobre suas propostas para a educação, Grass destacou a experiência que acumulou como professor e deputado distrital. Segundo ele, ao longo da trajetória política, visitou mais de 350 escolas da rede pública do DF. “É bom falar de proposta porque, de mentira, a população já está cansada. Como professor, ao longo da minha vida, tendo trabalhado na educação pública e na educação de jovens e adultos, passei todos esses anos acompanhando essa realidade. Como deputado distrital também, passei por mais de 350 escolas”, afirmou.

Grass disse conhecer as dificuldades enfrentadas por professores, servidores, estudantes e famílias. Para o candidato, a falta de oportunidades a partir da escola é um dos principais problemas da educação pública. “A dor do professor, do secretário escolar, da merendeira, do vigilante, do estudante e da família. O primeiro problema é a falta de oportunidades a partir da escola. Meu projeto principal para a educação é a escola em tempo integral. Podemos transformar a escola em um lugar de oportunidades”, declarou.

O candidato também defendeu a valorização dos profissionais da educação e criticou a gestão da governadora Celina Leão (PP), que disputa a reeleição. “Celina está enrolando os professores. Eu vou nomear e recompor a secretaria”, disse.

Fundo constitucional

Leandro Grass também negou, durante o debate, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o Partido dos Trabalhadores estejam promovendo um ataque ao Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). “Não há por parte do governo Lula ou do PT nenhum ataque ao Fundo Constitucional. Isso é mentira. O governo Bolsonaro que a Celina apoia deu R$ 16 bilhões e o governo Lula, R$ 28 bilhões”, declarou.

A declaração ocorre após a aprovação da Lei Complementar nº 235/2026, sancionada por Lula na sexta-feira (28/8). A legislação é alvo de uma ação direta de inconstitucionalidade apresentada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela governadora Celina Leão.

A norma trata da redução de impostos sobre combustíveis, mas, segundo o governo do DF, um dispositivo incluído durante a tramitação no Congresso Nacional pode afetar os recursos destinados ao Fundo Constitucional.

O GDF afirma que a mudança pode reduzir valores destinados às áreas de segurança pública, saúde e educação. O Instituto Fiscal Independente do Senado estima que o impacto para o Distrito Federal pode chegar a R$ 1,8 bilhão em 2027.

Durante o debate, Grass contestou a versão apresentada pelos adversários e afirmou que os números de repasses ao DF durante o governo Lula demonstrariam que não há uma tentativa de reduzir os recursos destinados à capital.