O Governo do Distrito Federal (GDF) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (5), para solicitar o reconhecimento do Banco de Brasília (BRB) e do próprio DF como vítimas das supostas fraudes envolvendo o Banco Master. A medida também busca viabilizar o repasse de mais de R$ 2,2 bilhões bloqueados durante as investigações, em uma tentativa de recuperar parte dos recursos relacionados à crise da instituição financeira.

O pedido foi apresentado pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) e envolve valores bloqueados em contas de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. Henrique foi preso preventivamente no âmbito das investigações sobre o caso.

A iniciativa representa uma nova frente jurídica do governo distrital para enfrentar os efeitos financeiros das operações entre o BRB e o Banco Master.

Ao solicitar o reconhecimento da condição de vítima, o GDF busca assegurar a participação do banco público e do Distrito Federal nos procedimentos relacionados à possível recuperação dos valores investigados.

O pedido, entretanto, ainda depende de análise judicial. A existência de recursos bloqueados não significa que o dinheiro esteja automaticamente disponível para transferência ao BRB ou ao governo.

Governo aponta riscos para programas sociais

Na manifestação encaminhada ao STF, a Procuradoria-Geral do DF também destaca possíveis consequências da crise bancária para a população atendida por programas sociais do governo.

O argumento amplia o alcance da discussão judicial ao relacionar os prejuízos financeiros da instituição às atividades públicas vinculadas ao banco.

O BRB possui papel estratégico na administração distrital, inclusive na operacionalização de serviços e pagamentos ligados ao governo.

A Procuradoria sustenta que os impactos da crise precisam ser considerados na análise do pedido, diante da relevância da instituição para o Distrito Federal.

Crise teve origem nas operações com o Master

A situação financeira do BRB se agravou após as negociações e operações realizadas com o Banco Master, instituição que passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades financeiras.

Em março de 2025, o banco público anunciou a intenção de adquirir participação no Master, operação que provocou questionamentos e passou a integrar o debate sobre a gestão e os mecanismos de controle da instituição.

No fim de outubro de 2026, a Polícia Federal indiciou 15 investigados no caso, entre eles Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e ex-diretores do banco público.

O Distrito Federal, na condição de acionista controlador do BRB, enfrenta o desafio de recompor a situação financeira da instituição e assegurar o cumprimento das exigências regulatórias do sistema bancário.

O novo pedido ao Supremo ocorre em meio às tentativas do governo de encontrar alternativas para reduzir os impactos da crise.

A eventual liberação dos R$ 2,2 bilhões, contudo, dependerá de decisão judicial e da análise dos direitos envolvidos sobre os valores bloqueados.

O principal ponto ainda sem resposta é se os recursos investigados poderão ser efetivamente destinados à recuperação do BRB e em quais condições essa transferência seria autorizada.