Em meio a tantos relatos de violência e estupro, cresce a preocupação sobre quando uma mulher realmente está segura, especialmente em corridas por aplicativo. Dados oficiais e casos recentes mostram que o problema não está distante da realidade de muitas famílias.

Um caso recente ocorrido no Distrito Federal reforça a gravidade da situação. Uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro durante uma corrida por aplicativo em Ceilândia. Segundo o relato da família, a jovem estava na casa de uma amiga, na região da QNM, e avisou à mãe que voltaria para casa utilizando um carro de aplicativo. A mãe acompanhava o trajeto da corrida pelo celular.

A adolescente entrou no veículo junto com duas amigas, que foram deixadas em suas casas. Quando ficou sozinha com o motorista, ele teria trancado o carro e alterado o destino da viagem. Ainda de acordo com o relato, a jovem percebeu a mudança de rota e questionou o motorista, que respondeu que só a liberaria após “fazer o que tinha que fazer”.

Durante o trajeto, a adolescente tentou enviar mensagens à mãe, mas, segundo a família, houve falha no sinal da operadora, o que impediu o envio. O motorista teria levado a jovem para uma área mais distante, onde cometeu o estupro. Mesmo após o crime, a violência teria continuado durante o retorno, até que a adolescente fosse deixada em casa, quase uma hora depois de ter saído da residência da amiga.

A mãe relatou que estranhou a demora da filha, já que o trajeto costumava durar cerca de 15 minutos. Quando o carro chegou, o motorista parou um pouco afastado da casa. A adolescente desceu chorando, o que chamou imediatamente a atenção da mãe. Ao perceber que a saia da filha estava suja, a mãe tentou seguir o motorista, mas ele fugiu do local.

A família procurou a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Ceilândia, onde mãe e filha prestaram depoimento. A adolescente foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e também ao hospital para atendimento médico. Pouco depois, a delegada informou que o motorista havia sido localizado e preso.

Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a ocorrência foi registrada na manhã de domingo (8), por volta das 10h30. O suspeito, de 34 anos, foi localizado após diligências e encaminhado à DEAM II, em Ceilândia. O carro utilizado por ele também foi apreendido.

A Polícia Civil não divulgou o nome completo do suspeito, mas informou que, na plataforma, ele utilizava o nome Guilherme. Ele permanece preso e deve passar por audiência de custódia.

Em nota, a Uber informou que lamenta o ocorrido e considera inaceitável qualquer tipo de assédio, violência ou má conduta sexual. A empresa afirmou ainda que a conta do motorista foi desativada e que a plataforma está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e chama atenção para a vulnerabilidade de mulheres e adolescentes, mesmo em situações consideradas rotineiras, como o uso de transporte por aplicativo.