Corte nos salários de professores temporários provoca reação na categoria
20 abril 2026 às 18h15

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*Por Ane Caroline
De acordo com os professores, o problema com os pagamentos acontecem desde fevereiro. O ano letivo teve início no dia 10 de fevereiro, e logo após os professores foram informados de que o salário só cairia em abril, quase dois meses depois. Depois de inúmeras reclamações, a Secretaria de Educação informou que iriam tentar realizar os pagamentos dos professores temporários por meio de uma folha suplementar no final do mês.
Os contracheques só saíram em março, e mesmo com o atraso, vieram com os valores errados. A remuneração foi de fato sair no meio do mês e somente agora, em abril, que pagaram a diferença, detalhou um professor.
Além dos atrasos, a revolta dos professores também se deve após, sem comunicação prévia, a Secretaria de Educação alterar a metodologia de cálculo salarial implementada pelo sistema EducaDF, causando uma diminuição da remuneração e reduzindo as horas de coordenação pedagógica. O ponto levantado pelos profissionais é que essa redução amplia a precarização das condições de trabalho dos profissionais em regime de contratação temporária, que respondem por 60% do total dos servidores em regência de classe na capital.
Para a diretora do Sinpro-DF, Ana Cláudia Bonina, essas alterações só fez estender a disparidade entre os profissionais que trabalham sob o mesmo regime contratual. “O governo faz um cálculo que diminui a remuneração da coordenação pedagógica e a remuneração salarial. Com isso, professores sob o mesmo regime de contrato temporário, sob a mesma carga horária contratual, exercendo a mesma função, com as mesmas responsabilidades, acabam com vencimentos diferentes, se afastando ainda mais do piso”, afirma.
Estão sendo reivindicados o pagamento integral da jornada de trabalho, a garantia do piso da carreira para contratos temporários, coordenação pedagógica respeitada em sua integralidade, o fim da hora-aula e um sistema de gestão de diário on-line que respeite a realidade da rede do DF.
Procurados pelo Jornal Opção, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) esclareceu que não houve atraso nos salários dos professores temporários e que desde o início do ano letivo, estão trabalhando para garantir a regularidade dos pagamentos. “Desde o início do ano letivo, a SEEDF tem trabalhado para garantir a regularidade dos pagamentos. Em fevereiro, alguns professores foram contratados após o fechamento da folha regular, recebendo então o pagamento através de uma folha suplementar, que foi quitada no dia 12 de março, antes do prazo informado”, explica.
“Eventuais divergências entre os valores constantes no contracheque e o montante creditado podem decorrer de descontos bancários ou de situações cadastrais específicas. Nesses casos, a orientação é que o professor procure a Coordenação Regional de Ensino (CRE) de referência para a devida verificação. A SEEDF ressalta que todos os casos identificados serão analisados e, havendo diferença de valores, o ajuste será realizado por meio de folha complementar”, completa a SEEDF.
