O Banco de Brasília (BRB) teria sido vítima de um esquema envolvendo a venda de créditos fraudulentos pelo Banco Master, segundo informações reunidas pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Compliance Zero.

De acordo com relatório da PF, o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Banco Master para adquirir carteiras de crédito. Desse total, aproximadamente R$ 12,2 bilhões seriam referentes a Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) consideradas sem autenticidade pelos investigadores.

As investigações apontam que parte dos créditos teria sido criada por meio da empresa Tirreno, apontada como uma estrutura utilizada para produzir documentos que davam aparência de regularidade às operações. Os investigadores afirmam que as carteiras eram posteriormente negociadas com o BRB.

A PF também identificou indícios de que integrantes do Banco Master teriam elaborado documentos e extratos para sustentar a existência dos créditos. Entre os investigados está Augusto Lima, ex-sócio do Master, a quem os investigadores atribuem a criação de carteiras fraudulentas posteriormente repassadas ao banco público. A defesa dele nega as acusações e afirma que ele deixou o Master em 2024.

Operações continuaram mesmo após alertas

Segundo a investigação, o BRB já havia identificado inconsistências em determinadas carteiras de crédito em 2024. Ainda assim, novas operações com o Banco Master teriam sido realizadas posteriormente.

O relatório também aponta que dirigentes do BRB receberam pareceres jurídicos contrários a determinadas operações. Mesmo diante das ressalvas, segundo a PF, houve autorização para a continuidade das compras de créditos.

A investigação busca esclarecer quem autorizou as transações, quais critérios foram utilizados para a aquisição das carteiras e se houve participação de integrantes das duas instituições na estruturação do suposto esquema.

A dimensão do possível prejuízo ainda é objeto de apuração. A PF estima que pelo menos R$ 5 bilhões possam estar relacionados a operações envolvendo créditos considerados fraudulentos.

O caso ganhou ainda mais importância porque o BRB é uma instituição financeira controlada majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal. As operações com o Banco Master passaram a ser alvo de investigação criminal, além de questionamentos sobre os mecanismos de governança e controle utilizados pelo banco.

A atual gestão do BRB, presidida por Nelson de Souza, afirma que os antigos dirigentes envolvidos nas operações foram afastados e que a instituição adotou medidas para reforçar os mecanismos de controle e governança. Mas, há cerca de 6 meses após a nova diretoria assumir o controle do banco, não foi apresentado os balanços da instituição, documentação necessária e primordial para eventual liberação de empréstimo por parte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e bancos privados, com intuito de injetar recursos para socorrer o banco regional.

Investigação continua

As suspeitas fazem parte da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis crimes como gestão fraudulenta, emissão de títulos sem lastro, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O caso também passou a envolver diferentes autoridades e instituições públicas. Documentos da investigação foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o processo passou a ter novos desdobramentos nos últimos dias.

A PF continua analisando documentos, mensagens e movimentações financeiras para identificar a participação de cada investigado e dimensionar os valores efetivamente envolvidos no esquema.

Word, Excel e PDF para fraudar documentos

Segundo relatórios da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC), o Banco Master teria utilizado ferramentas como Word, Excel e PDF para fabricar e adulterar documentos usados em operações de venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). De acordo com os investigadores, informações de clientes teriam sido utilizadas para “assinar” Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) que posteriormente seriam negociadas com o BRB. A PF também identificou procurações supostamente assinadas por clientes, nas quais eles nomeavam o próprio Banco Master como procurador para assinar as CCBs, embora a instituição fosse, ao mesmo tempo, a credora dos títulos.