Multas, agressões e ameaças: Justiça determina saída de pai e filho de condomínio no DF
03 setembro 2026 às 18h27

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A Justiça do Distrito Federal determinou que Vinícius de Oliveira Scucato, de 51 anos, e João Vitor Mendes Scucato, de 21, pai e filho, deixem e não frequentem o Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF), após um histórico de mais de dez anos de conflitos, infrações e episódios de violência contra moradores e funcionários. Antes da decisão, a assembleia do condomínio tentou conter o comportamento da dupla com multas administrativas que chegaram a 10 vezes o valor da taxa mensal, mas, segundo a sentença, as punições não impediram novos episódios.
A decisão foi proferida na última segunda-feira (31/8), após o condomínio ingressar com uma ação na Justiça. Pai e filho têm 30 dias para cumprir a determinação. Caso não deixem o residencial dentro do prazo, a Justiça autorizou o uso de força policial para retirá-los do local. O descumprimento também pode resultar em multa diária de R$ 2 mil.
A medida impede que os dois morem ou frequentem o condomínio, mas não retira a posse do imóvel.
Histórico de conflitos
De acordo com a sentença, o condomínio acumulou registros de ocorrências envolvendo a dupla ao longo dos anos. O juiz responsável pelo caso destacou que, além das multas administrativas terem atingido o limite máximo previsto, decisões judiciais anteriores também não teriam sido suficientes para interromper os conflitos.
Entre os episódios descritos no processo estão agressões com facão e corrente de ferro, asfixia de um vizinho, tentativa de atropelamento de um funcionário, arremesso de pedras contra trabalhadores e ameaças a moradores.
Vinícius também é acusado de fazer comentários de cunho sexual contra uma adolescente.
Maus-tratos contra animais e ferro-velho
O histórico apresentado à Justiça inclui ainda atividades consideradas irregulares dentro das residências ocupadas por Vinícius. Segundo o processo, desde 2010 ele mantinha veículos sucateados, carcaças, peças automotivas e resíduos industriais, caracterizando um ferro-velho irregular. A situação teria provocado sujeira, presença de pragas e outros transtornos aos moradores.
Em 2015, uma operação policial encontrou 81 cães desnutridos e doentes em um canil clandestino. O local, segundo o processo, também era utilizado para exploração comercial de filhotes. Ainda conforme os autos, havia criação irregular de galos, patos e perus, provocando barulho e atraindo pombos.
Agressões e ameaças
Um dos episódios descritos ocorreu em 2015, após um desentendimento entre Vinícius e um vizinho. Segundo o processo, ele teria atacado o homem com um facão, atingindo seu rosto. A vítima conseguiu se defender com a mão e ficou com sequelas em um dos dedos. Em seguida, ainda de acordo com o processo, teria sido atingida no rosto por um rodo de madeira, que também provocou a quebra de um dente.
Em 2020, João Vitor, segundo os autos, teria arremessado um pedregulho e um bloco de concreto contra um carteiro que estava em uma motocicleta. Os objetos atingiram os braços e as pernas do trabalhador.
Já em 2024, pai e filho são acusados de agredir um vizinho no meio da rua. Conforme o processo, enquanto João Vitor imobilizava a vítima com um golpe conhecido como “mata-leão”, Vinícius teria usado uma corrente de ferro para golpeá-la na cabeça e no rosto. A agressão teria terminado somente após a intervenção de um policial militar armado.
No mesmo ano, Vinícius também é acusado de avançar de carro contra um funcionário do condomínio durante uma discussão. O trabalhador teria precisado se jogar para o lado para evitar o atropelamento.
Outro episódio relatado no processo ocorreu em 2025. Segundo a acusação apresentada na ação, Vinícius escalava o muro de sua residência para filmar, xingar e provocar a família de um vizinho. O morador também afirmou que o réu teria feito comentários de cunho sexual direcionados à filha adolescente dele.
Em 2026, mesmo após uma decisão liminar que previa multa de R$ 2 mil, Vinícius teria ido até a administração do condomínio para filmar funcionários, provocar tumultos e constranger trabalhadores.
Vizinho relata medo e conflitos
Um ex-vizinho de Vinícius, que preferiu não se identificar, afirmou à reportagem que era comum moradores registrarem boletins de ocorrência após episódios de conflito. “Eles têm um modus operandi de arrumar confusão e em seguida registrar B.O alegando terem sido ameaçados”, afirmou.
O homem também contou que foi intimidado depois de impedir que os filhos se aproximassem do filho de Vinícius. Segundo ele, o morador teria ameaçado acionar o Conselho Tutelar.
Defesa
Vinícius de Oliveira Scucato e João Vitor Mendes Scucato respondem a processos na esfera criminal relacionados a diferentes acusações. A reportagem procurou a defesa dos dois, mas não recebeu manifestação até o momento.
O síndico do Condomínio Solar de Brasília também foi procurado e optou por não se manifestar. O espaço permanece aberto para manifestações da defesa e do condomínio.
