“Celina já confessou o crime”, acusa Kiko Caputo ao questionar balanço do BRB
30 setembro 2026 às 11h28

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O candidato ao Governo do Distrito Federal Kiko Caputo (Novo) concentrou suas críticas na situação financeira do Banco de Brasília (BRB) durante o último debate antes do primeiro turno, realizado na noite desta terça-feira (29). Caputo acusou o governo de falta de transparência pela não divulgação das demonstrações financeiras do banco e afirmou que o acordo firmado para viabilizar uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões pode limitar contratações e reajustes no serviço público. A governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, não participou do debate.
Em uma das falas mais duras da noite, Kiko relacionou diretamente a ausência do balanço à crise enfrentada pela instituição. “A candidata Celina já confessou o crime. Ela não publica o balanço do banco porque ela sabe que o balanço está negativo e o banco quebrou. Eles conseguiram quebrar o banco”, afirmou.
O que está confirmado é que o BRB ainda não publicou demonstrações financeiras que permitam conhecer integralmente os efeitos da crise. A página de Relações com Investidores do próprio banco disponibiliza, nas demonstrações consolidadas em IFRS, dados até o primeiro trimestre de 2025. “Qual é o tamanho do rombo?”, questiona Kiko.
Caputo voltou ao assunto ao criticar a ausência de informações consolidadas sobre a situação financeira da instituição. “O que está acontecendo nesse governo de mentirinha é a absoluta ausência de transparência. E até hoje ninguém veio a público, em respeito à sociedade, dizer qual que é o tamanho do rombo do BRB”, declarou.
O candidato também afirmou que outras pessoas deveriam ser responsabilizadas pelas operações investigadas envolvendo o BRB e o Banco Master. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou recentemente o bloqueio cautelar de bens de ex-dirigentes do BRB, limitado a R$ 2,76 bilhões, no processo que apura operações envolvendo o Master. O procedimento foi convertido em Tomada de Contas Especial para aprofundar a apuração de responsabilidades e eventuais prejuízos ao patrimônio público.
Acordo de R$ 6,6 bilhões também vira alvo
Outro ponto levantado por Kiko foi o acordo que abriu caminho para uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O dinheiro é destinado ao Distrito Federal para posterior aporte de capital no BRB. O acordo envolve DF, União, Banco Central e o próprio banco e foi homologado no Supremo Tribunal Federal. “Eu quero dizer o seguinte: aquele acordo que está sendo entabulado por ela é absolutamente ruim para o Distrito Federal. Principalmente porque vai sucatear os nossos serviços públicos”, afirmou Kiko.
Segundo o candidato, as limitações poderiam dificultar novas admissões e mudanças nas carreiras enquanto áreas como saúde, educação e assistência social precisam de reforço.
O acordo prevê compromissos de ajuste fiscal baseados nas vedações do artigo 167-A da Constituição. Entre elas estão restrições à criação de cargos que aumentem despesas, alterações de carreira com aumento de gastos, reajustes e determinadas contratações.
As restrições, entretanto, não significam proibição absoluta de contratar servidores. A Constituição permite, entre outras exceções, reposições decorrentes de vacância de cargos efetivos e contratações temporárias para atender necessidade excepcional. “Com a péssima qualidade dos serviços públicos hoje, a gente precisa urgentemente contratar mais médicos, colocar os professores temporários como permanentes, contratar mais assistentes sociais e reestruturar várias carreiras”, disse Kiko.
Celina diz que atraso do balanço é técnico
Celina já se manifestou sobre a ausência das demonstrações financeiras. Em 18 de setembro, a governadora afirmou que a publicação não está submetida ao calendário eleitoral e relacionou o atraso à negociação do empréstimo para capitalização do BRB. “O balanço não está ligado a um calendário político. É um calendário técnico e financeiro”, declarou. Segundo Celina, a divulgação depois da operação de crédito permitiria apresentar um balanço “mais saudável”. Ela também afirmou que a decisão sobre a publicação cabe ao próprio BRB, que possui autonomia administrativa.
O BRB, por sua vez, informou oficialmente em maio que o acordo busca viabilizar uma operação de crédito para fortalecer a estrutura de capital do banco.
No debate desta terça-feira, porém, a ausência de Celina fez com que as novas críticas de Kiko e dos demais adversários fossem apresentadas sem resposta direta da governadora no encontro.
