Sequência de mortes na rede pública do DF demonstra o caos na saúde
16 julho 2026 às 14h00

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Por Cintia Ferreira
O Distrito Federal enfrenta uma situação grave na saúde pública, com sequência de mortes registradas em diversas unidades de saúde, seja por demora ou falta de atendimento adequado. Nos últimos dias, duas gestantes morreram após complicações no parto no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), um bebê faleceu durante uma transferência hospitalar e pacientes perderam a vida enquanto aguardavam atendimento em unidades da rede do Recanto das Emas e no centro de Brasília, no Hospital de Base, gerenciada pelo Instituto de Gestão em Saúde (IGES). Os casos motivaram denúncias de familiares, abertura de investigações pela Secretaria de Saúde e cobranças por melhorias no sistema.
O caso de maior repercussão ocorreu no Hospital Regional de Samambaia, onde duas mulheres morreram após complicações relacionadas ao parto em um intervalo de quatro dias.
A primeira vítima foi Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos. Ela morreu após sofrer sucessivas paradas cardiorrespiratórias durante o trabalho de parto. Segundo familiares, permaneceu por horas com a bolsa rompida e solicitou uma cesariana, mas a equipe médica manteve a tentativa de parto normal. O bebê sobreviveu e segue internado.
Dias depois, Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu horas após dar à luz na mesma unidade. A família afirma que ela apresentava fortes dores e também pediu para realizar uma cesariana, mas o parto normal foi induzido. Os dois episódios passaram a ser investigados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
As mortes também reacenderam o debate sobre as condições de trabalho nas maternidades da rede pública. Profissionais relataram dificuldades para acessar informações do pré-natal das pacientes durante o atendimento. Em resposta, a Secretaria de Saúde esclareceu que utiliza sistemas digitais distintos, mas afirmou que os profissionais autorizados têm acesso aos prontuários eletrônicos e que as gestantes também contam com cadernetas físicas de acompanhamento para subsidiar a assistência.
Outro caso que gerou repercussão foi a morte de um bebê de seis meses durante a transferência entre hospitais da rede pública. A criança sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto era transportada entre o Hospital de Planaltina e o Hospital da Criança José de Alencar. A família afirmar que a menina foi acidentalmente extubada durante o procedimento de remoção.
Na UPA do Recanto das Emas, Vilmar Pereira da Silva morreu após permanecer, segundo familiares, mais de 12 horas aguardando atendimento em uma cadeira de rodas. Posteriormente, a Polícia Civil informou que arquivou a ocorrência por não encontrar indícios de crime, embora os familiares continuem questionando as circunstâncias do atendimento.
Outro episódio ocorreu no Hospital de Base de Brasília. Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na calçada, próximo à entrada da unidade, enquanto aguardava socorro. A família denunciou demora no atendimento e pede esclarecimentos sobre a assistência prestada.
Posicionamento da Secretaria de Saúde
Diante da repercussão dos casos, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que instaurou sindicâncias e processos administrativos, conduzidos sob sigilo, para apurar a dinâmica dos atendimentos e o tempo de resposta das equipes nos episódios registrados. Segundo a pasta, eventuais responsabilidades serão apuradas com rigor.
Em nota, a Secretaria afirmou que não compactua com falhas na assistência e ressaltou que, caso seja comprovada negligência, os profissionais serão responsabilizados conforme prevê a legislação.
Sobre as denúncias relacionadas ao acesso às informações do pré-natal, a pasta reiterou que os sistemas eletrônicos da rede permitem o acesso aos dados por profissionais autorizados e destacou que as pacientes também possuem registros físicos utilizados durante o acompanhamento da gestação.
Governo promete rigor nas investigações
A governadora Celina Leão (PP) afirmou que o Governo do Distrito Federal não aceitará falhas no atendimento prestado à população e garantiu transparência na apuração dos casos.
Celina Leão também reconheceu que a rede pública enfrenta problemas estruturais, como superlotação e deficiências acumuladas ao longo dos anos, mas afirmou que isso não pode justificar falhas na assistência. “Não vamos tolerar falta de atendimento”, declarou a governadora ao comentar as mortes das gestantes.
Enquanto as investigações seguem em andamento, a sucessão de ocorrências mantém a saúde pública do Distrito Federal sob forte pressão e sendo considerada uma das piores administrações da última década, com demora no atendimento, negligência médica, superlotação e falta de profissionais de saúde em diversas esferas.
