O candidato ao Governo do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) anunciou, nesta sexta-feira (4), que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) que manteve sua inelegibilidade. Em entrevista coletiva, Arruda afirmou que o recurso será protocolado às 16h01, assim que o acórdão for publicado, e disse não ter um plano B para a disputa. “Eu tenho o direito de ser candidato. Eu vou até o fim”, declarou.

Ao lado do candidato a vice-governador Pitiman, do advogado Francisco Emericiano, do presidente do PSD no Distrito Federal, Paulo Octávio, além de candidatos do PSD e do Avante e correligionários, Arruda afirmou que está convencido de que pode disputar as eleições.

“A minha condenação venceu em junho de 2026”, disse o candidato, ao defender que o prazo de sua inelegibilidade já teria terminado. Segundo Arruda, a defesa vai sustentar no recurso ao TSE que a legislação estabelece limite para o período de inelegibilidade. “Vou ao TSE, vou às últimas instâncias”, afirmou.

Críticas ao julgamento

Durante a coletiva, Arruda questionou o entendimento adotado pelo TRE-DF e citou uma decisão anterior do tribunal sobre as provas utilizadas em processos contra ele. “O mesmo TRE, há meses atrás, com o mesmo colegiado, tornou as provas nulas, e agora vem me tornar inelegível”, afirmou.

O candidato também afirmou que considera o caso um dos episódios mais graves de sua trajetória política. “Esse é o pior golpe contra o Estado Democrático de Direito”, declarou.

Arruda disse não se considerar perseguido, mas afirmou estar no centro de um momento importante da história jurídica do país. “Eu não me sinto perseguido. Eu me sinto no epicentro da história jurídica brasileira”, afirmou.

Menção a advogado ligado ao BRB

Arruda também mencionou durante a coletiva o advogado Enguis Muniz e sua relação profissional com Gustavo Rocha e com o empresário que, segundo ele, está no centro das discussões envolvendo o Banco de Brasília (BRB).

O candidato afirmou que Muniz, que teria integrado o Conselho de Administração do BRB, é sócio de Gustavo Rocha e atua como advogado de Vorcaro. “É inacreditável ver isso na capital do país”, afirmou.

Críticas ao governo

Ao falar sobre os R$ 16 bilhões relacionados ao Banco de Brasília, Arruda fez uma comparação para dimensionar o valor. “Os R$ 16 bilhões dava para fazer 16 estádios Mané Garrincha”, afirmou.

Em outro momento, Arruda afirmou: “Eu não aceito a possibilidade dessa máfia continuar no poder”.

Ao comentar a situação envolvendo supostos pagamentos mensais de R$ 100 mil a empresas relacionadas ao marido e à filha da governadora Celina Leão, Arruda defendeu que ela deixe o cargo. “Ela deveria renunciar”, avaliou.

“Não há plano B”

Questionado sobre a possibilidade de a decisão do TRE-DF ser mantida nas instâncias superiores, Arruda afirmou que não trabalha com outra hipótese neste momento. “Não há plano B. Eu vou até o fim e confio na Justiça”, declarou.

Ele também disse que tem votos que ainda não foram contabilizados nas pesquisas eleitorais. “Eu tenho um tanto de voto represado”, afirmou, ao destacar que acredita que parte do eleitorado ainda não decidiu em quem votar.

Arruda afirmou que pretende levar a disputa até o limite permitido pela Justiça Eleitoral. “Nem que seja o último ato da minha vida, em defesa da lisura da minha candidatura”, disse.

Estratégia da defesa

O advogado Francisco Emericiano também acompanhou a coletiva e deve conduzir a estratégia jurídica da candidatura no recurso ao TSE. A defesa pretende contestar os fundamentos utilizados pelo TRE-DF para manter a inelegibilidade de Arruda.

O candidato afirmou que está tranquilo diante da possibilidade de uma nova disputa judicial e voltou a dizer que acredita ter direito de participar das eleições. “Eu tenho o direito de ser candidato. Eu vou até o fim”, reforçou.