Carlos Xavier é condenado pela morte de Ewerton, mas candidatura adia prisão às vésperas da eleição
24 setembro 2026 às 10h25

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O ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier foi condenado, pouco depois das 3h desta quinta-feira (24), a 14 anos e três meses de prisão em regime fechado pela morte de Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos. O adolescente foi encontrado baleado atrás de uma parada de ônibus no Recanto das Emas, no Distrito Federal, em março de 2004. Segundo a acusação, Xavier encomendou o homicídio por suspeitar que Ewerton mantinha um relacionamento com sua então esposa. O ex-parlamentar negou participação no crime, mas o Tribunal do Júri o considerou culpado.
A condenação veio 22 anos após a morte de Ewerton e a dez dias do primeiro turno das eleições. Xavier concorre novamente a deputado distrital, pelo Democracia Cristã. Embora tenha determinado a execução provisória da pena, o juiz Valter André de Lima Bueno Araújo ordenou que o mandado de prisão seja expedido apenas em 5 de outubro, um dia depois da votação. Assim, o ex-deputado deixou o julgamento condenado, mas sem prisão imediata.
O relato dos pais de Ewerton
A família levou ao plenário uma conversa que, segundo o pai de Ewerton, ocorreu antes do assassinato. Oscar Ferreira afirmou que Xavier foi à casa deles questionar o adolescente sobre uma suposta relação com Maria Lúcia, então esposa do deputado. De acordo com Oscar, Xavier apontou o dedo para Ewerton e disse: “É muito perigoso você mexer com mulher casada”. O relato é do pai; Xavier contesta a acusação de envolvimento na morte.
A mãe do adolescente, Cirlene Ribeiro da Rocha, se emocionou ao depor. “Eu espero justiça”, afirmou. Oscar e Cirlene disseram que desconheciam uma relação entre o filho e Maria Lúcia e que souberam da suspeita contra Xavier por meio da investigação policial.
Maria Lúcia também foi ouvida pelos jurados. Ela confirmou que dava presentes a Ewerton, que frequentava a mesma igreja da família e havia trabalhado na campanha eleitoral de Xavier em 2002, mas negou envolvimento amoroso com o adolescente: “Eu não me relacionei com Ewerton”. Ela disse acreditar na inocência do ex-marido.
A acusação e a resposta de Xavier
A investigação apontou Xavier como mandante do homicídio. Segundo a acusação, ele teria pago R$ 15 mil para que Ewerton fosse morto. Um homem identificado como Leandro, preso durante a apuração, disse ter recebido esse valor para executar o adolescente e apontou posteriormente o ex-deputado como mandante.
No interrogatório, Xavier chorou e afirmou que conhecia Ewerton e seus pais por frequentarem a mesma igreja. “Éramos irmãos da mesma congregação”, disse. Ele sustentou que a investigação foi construída para prejudicá-lo politicamente e questionou as circunstâncias em que Leandro passou a apontá-lo como mandante. “Eu sei que a verdade vai prevalecer”, declarou aos jurados. Essas acusações feitas por Xavier contra policiais e autoridades são parte de sua versão apresentada no julgamento.
O advogado do ex-deputado também defendeu a absolvição. “Acredito plenamente na inocência”, afirmou, ao destacar que a própria defesa convocou uma autoridade policial para depor. Depois de ouvir as testemunhas, o réu e os debates entre acusação e defesa, os jurados reconheceram a participação de Xavier no homicídio e rejeitaram a tese de absolvição.
Na sentença, o juiz considerou a idade de Ewerton ao fixar a pena. “A vítima era adolescente”, registrou. O magistrado também afirmou que não havia prova segura de que o comportamento do jovem tivesse contribuído para o crime.
Por que houve um novo júri?
Xavier já havia sido condenado a 15 anos de prisão pela morte de Ewerton. Em 2024, porém, aquele julgamento foi anulado após a apresentação de novos elementos pela defesa, entre eles um relatório policial e depoimentos de investigadores que atuaram no caso. A anulação levou à realização do novo júri nesta semana; a pena fixada agora é de 14 anos e três meses.
Durante o julgamento, foram ouvidas oito testemunhas, incluindo os pais do adolescente, Maria Lúcia, policiais ligados à investigação e o ex-diretor da Polícia Civil do DF Laerte Bessa. Xavier, que exerceu três mandatos na Câmara Legislativa, foi o último a prestar depoimento no Fórum do Recanto das Emas.
A candidatura também entrou na decisão sobre a prisão. Conforme orientação do Tribunal Superior Eleitoral, candidatos têm restrição à prisão nos 15 dias anteriores ao primeiro turno e até 48 horas depois da votação, ressalvada a hipótese de flagrante delito. No caso de Xavier, o juiz determinou expressamente a expedição do mandado para 5 de outubro. A defesa ainda pode recorrer da condenação.
