O advogado Eugênio Aragão anunciou nesta terça-feira (20) que deixou a defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero.

Ex-ministro da Justiça e subprocurador-geral da República aposentado, Aragão não detalhou os motivos da saída da equipe de defesa. Em nota divulgada à imprensa, ele afirmou que participa apenas de iniciativas jurídicas pautadas pela “absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade”.

No comunicado, o advogado também mencionou que eventual acordo de colaboração premiada somente seria considerado diante da existência de “provas consistentes e inequívocas”, sempre com respeito à legalidade e às instituições.

Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação sobre quem assumirá a defesa de Paulo Henrique Costa.

O ex-presidente do BRB foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero e, segundo informações do processo, demonstrou interesse em colaborar com as investigações. Em abril, a defesa chegou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência dele do Complexo Penitenciário da Papuda para uma unidade que permitisse reuniões reservadas com os advogados.

Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019, após indicação do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Durante a gestão, esteve à frente da tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição financeira pública.

Segundo os autos do processo, Costa defendia a operação como alternativa para enfrentar a crise enfrentada pelo banco privado. Ele acabou afastado do cargo em novembro, por decisão judicial.

Formado em administração de empresas, com especializações na área financeira em universidades do exterior, Paulo Henrique Costa possui mais de duas décadas de atuação no sistema financeiro. Antes de assumir o comando do BRB, ocupava o cargo de vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal, instituição onde trabalhou desde 2001.