O candidato ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT), participou, na manhã desta sexta-feira (9), de um ato político ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no centro de Ceilândia, região administrativa mais populosa e maior colégio eleitoral do DF. Durante entrevista à imprensa, Grass fez críticas à governadora Celina Leão (PP), sua adversária no segundo turno, e apresentou propostas para a saúde pública e para a recuperação financeira do Banco de Brasília (BRB).

A participação de Lula no ato em Ceilândia ocorre em meio à campanha do segundo turno para o Governo do Distrito Federal, disputado por Celina Leão e Leandro Grass.

Mais cedo, em entrevista numa emissora de rádio, o petista também questionou os resultados das pesquisas eleitorais divulgadas antes do primeiro turno e afirmou que a decisão sobre o futuro do Distrito Federal será tomada pelos eleitores em 25 de outubro. “Se as pesquisas estivessem certas no primeiro turno, eu não estaria aqui conversando com vocês. A melhor pesquisa é a da urna, que é quem decide para valer”, declarou.

Ao comentar a disputa contra Celina, Grass afirmou que pretende ampliar o diálogo com eleitores de diferentes posicionamentos políticos. Segundo ele, a campanha do segundo turno será concentrada em temas como saúde, geração de empregos, desenvolvimento econômico e transparência na administração pública.

Um dos principais assuntos abordados durante a entrevista foi a situação financeira do Banco de Brasília. Grass voltou a questionar a aplicação de R$ 120 milhões de recursos da saúde pública em um Certificado de Depósito Bancário (CDB) do BRB.

Segundo o candidato, o dinheiro, originalmente destinado ao Fundo de Saúde, deveria ser utilizado para melhorar o atendimento nas unidades públicas. “Quando eu digo que a Celina tirou R$ 120 milhões do Fundo de Saúde e colocou no BRB para render, isso afeta a vida do cidadão. A saúde pública do DF vai bem? Claro que não”, afirmou.

Grass também questionou a falta de divulgação do balanço financeiro do banco e criticou a possibilidade de contratação de empréstimos internacionais para reforçar o caixa da instituição.

O candidato mencionou a viagem de dirigentes do BRB a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para negociar alternativas de financiamento. Na avaliação dele, qualquer operação deve ser precedida pela apresentação de informações financeiras e de um plano de recuperação.

O petista ainda levantou suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo pessoas ligadas à administração do banco e ao Banco Master. As declarações foram feitas pelo candidato e não representam conclusões de investigações ou decisões judiciais.

Candidato defende recuperação do BRB sem retirar recursos de serviços públicos

Questionado sobre o futuro do BRB em uma eventual gestão, Grass afirmou que pretende priorizar a divulgação das contas da instituição e a elaboração de um planejamento financeiro.

Ele relatou ter conversado com o presidente Lula e com representantes do Ministério da Fazenda sobre alternativas para o banco. “Eu não confio na Celina, eu confio em planilha, dado, indicador, número. É isso que tem que ter quando você vai negociar qualquer acordo”, declarou.

Grass não descartou a possibilidade de empréstimos, mas defendeu que eventuais operações tenham condições claras de pagamento e não comprometam recursos destinados à população. “Eu não quero pagar o empréstimo do BRB tirando dinheiro da saúde. Eu não quero resolver o problema do BRB tirando dinheiro da educação”, afirmou.

Entre as alternativas mencionadas estão a captação de recursos nacionais e internacionais e a ampliação da oferta de crédito para estimular atividades econômicas no Distrito Federal.

Redução do tempo de espera

Na área da saúde, o candidato apresentou a proposta de reduzir para 30 dias o tempo de espera por consultas especializadas, exames e cirurgias até o fim de um eventual mandato.

Segundo Grass, a medida dependeria da ampliação das equipes, da nomeação de profissionais aprovados em concursos públicos e da contratação complementar de serviços da rede privada e filantrópica. “A fila tem que andar e tem que andar rápido, porque tem gente morrendo esperando para tratar câncer e outras doenças”, afirmou.

O candidato também defendeu a realização de mutirões de exames e cirurgias durante madrugadas, fins de semana e feriados, com o objetivo de aproveitar a capacidade de atendimento disponível.

Outra proposta apresentada foi a criação de um painel público para acompanhar as filas de espera da rede de saúde. Pelo sistema, os pacientes poderiam consultar, por aplicativo, a previsão de atendimento.

Grass também criticou o modelo de gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Ele afirmou que pretende manter inicialmente os profissionais vinculados ao instituto, mas fortalecer a atuação da Secretaria de Saúde na coordenação dos serviços.