Justiça derruba condenação de Arruda e absolve outros três réus na Caixa de Pandora
22 outubro 2026 às 14h52

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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) derrubou uma das condenações por improbidade administrativa do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), relacionada à Operação Caixa de Pandora. A decisão da 1ª Turma Cível também beneficiou outros três réus, mas não modifica, por si só, a situação eleitoral do político, que teve a candidatura ao Governo do Distrito Federal barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro deste ano.
No julgamento realizado em 7 de outubro, os desembargadores reformaram a sentença condenatória após considerar a decisão da Justiça Eleitoral que reconheceu a ilegalidade de gravações feitas pelo delator Durval Barbosa, peça central das investigações sobre o esquema de corrupção revelado em 2009.
Sem essas gravações, o colegiado entendeu que os demais elementos apresentados no processo não eram suficientes para sustentar a condenação por improbidade administrativa.
Gravações consideradas ilícitas mudaram o resultado
A decisão teve como fundamento a impossibilidade de utilizar provas já declaradas ilícitas pela Justiça.
Segundo o magistrado Teofilo Rodrigues Caetano Neto, as gravações clandestinas realizadas entre 2006 e 2009, assim como as captações ambientais de outubro de 2009, não poderiam ser aproveitadas no processo.
Com a exclusão desse material, as declarações de Durval Barbosa, sem provas independentes suficientes para confirmá-las, foram consideradas incapazes de justificar a condenação.
A absolvição, portanto, decorre da avaliação da validade e da suficiência das provas apresentadas nessa ação específica.
Decisão não recupera direitos políticos de Arruda
Apesar da vitória judicial, Arruda continua sujeito aos efeitos de outras condenações relacionadas à Caixa de Pandora.
O ex-governador foi condenado em outras sete ações de improbidade administrativa decorrentes da operação. Essas decisões fundamentaram o impedimento de sua candidatura ao GDF nas eleições de 2026.
Em setembro, o TSE negou o registro de candidatura do político, que tentava retornar ao comando do Palácio do Buriti.
Assim, a absolvição em um dos processos não significa a anulação das demais condenações nem o restabelecimento automático de sua elegibilidade.
Escândalo marcou a política do Distrito Federal
Deflagrada em 2009, a Operação Caixa de Pandora revelou suspeitas de um esquema de pagamento de vantagens indevidas em troca de apoio político na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de imagens em que Arruda aparecia recebendo R$ 50 mil de Durval Barbosa, então integrante do governo distrital.
Na época, Arruda alegou que o dinheiro seria destinado à compra de panetones para famílias carentes, explicação que ficou associada ao episódio conhecido como mensalão do DEM.
A operação desencadeou uma série de investigações e ações judiciais, cujos desdobramentos continuam produzindo decisões mais de uma década depois.
Defesa comemora absolvição
A defesa de José Roberto Arruda classificou o resultado como uma decisão “justa e tecnicamente correta, que prestigia as garantias do devido processo legal”.
Embora represente uma vitória para o ex-governador, o julgamento tem alcance limitado ao processo analisado pela 1ª Turma Cível. As demais condenações e seus efeitos eleitorais não foram afastados por essa decisão.
